Benvindos!


Bem-vindos!

Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


Mostrar mensagens com a etiqueta Marcianos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcianos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de maio de 2015

Black Amazon of Mars - ou "Como um puzzle levou a que eu comprasse um livro"

Como fã de ficção científica, nas suas múltiplas encarnações, acho bastante piada às publicações pulp onde proliferaram contos de FC, com qualidade muito variável, por vezes reciclando temas e histórias, por vezes produzindo algumas obras notáveis.

Assim sendo, há vários anos, comprei um daqueles puzzles relativamente comuns de encontrar em gift shops tipo Papagaio sem Penas (alíás, acho que foi mesmo numa dessas lojas), um daqueles puzzles compostos por 4 cubos com várias imagens nas suas faces, em que se tem de colocar os ditos cubos alinhados de modo a que as imagens não se repitam. Como não podia deixar de ser, escolhi um cujas imagens eram reproduções de capas das velhinhas Amazing Stories e Planet Stories. Mais pelas imagens do que pelo puzzle, confesso.

E das capas disponíveis, houve uma que me chamou a atenção... Uma esbelta senhora em armadura negra, a brandir um machado contra um mar de tentáculos, ilustrando o que pelos vistos era uma história intitulada "Black Amazon of Mars".


Foi com este brinquedo que tudo começou...

Fiquei apaixonado, de certa forma.

Vai daí, fui procurar na net o que havia sobre o assunto, e descobri inclusivamente que o conto estava disponível para download já que pelos vistos os direitos de autor (ou de autora, para ser mais exacto) já tinham prescrito nos EUA. Aliás, para quem quiser, fica o link do Projecto Gutemberg...

Não satisfeito com o acesso ao conto, continuava fascinado pela imagem, por toda a aura pulp que evocava (antevendo até que a história fosse um bocado foleira), e continuei a procurar. Eis senão quando, descobri que na Amazon vendiam prints A4 com a capa da dita cuja edição da Planet Stories.

A famosa capa...

Comprei. O poster ficou a adornar uma das portas de armário no quarto que me servia de escritório no meu antigo apartamento e agora aguarda a honra de ser pendurado, emoldurado, algures na cave (que é onde fica o escritório na minha casa nova). Só não o fiz ainda por que me mudei há pouco e tenho pilhas de livros e BD (entre outras coisas) para arrumar.

E, voltando atrás, uma prospecção mais aturada revelou que... existia um livrinho compilando não só a Black Amazon como outras histórias da autora, num volume apropriadamente chamado... Black Amazon of Mars and Other Tales From the Pulps.

Não resisti. Comprei também. E só recentemente o li.

Embora este post fosse mais para vos maçar com o meu relato de como obtive o livro, aproveito, naturalmente, para falar um pouco dele.

A história titular, Black Amazon, não é nada má. Reminiscente dos contos de Barsoom de E. R. Burroughs, tem um protagonista (Eric John Stark, um personagem recorrente nas obras da autora) que tenta impedir, sem sucesso, a invasão de uma cidade pelas hordas da dita Amazona Negra (é a cor do fato, não dela), que quer atravessar um portal nessa cidade (The Gates of Death) para conquistar uma dimensão algo lovecraftiana, o que corre bastante mal (embora termine bem, graças aos esforços do protagonista. Acaba por ser uma história que parece mais de fantasia do que de FC pura, na linha do supracitado Barsoom.

A segunda história, A World is Born é menos fantasioso, acabando por ser uma história de índole quase policial, acerca de uma tramóia para boicotar os esforços de um conjunto empreendedor de pai-filha de criar colónias habitáveis e rentáveis em Mercúrio. Foi a história que mais me agradou (ironicamente, por ser a menos over the top).

Finalmente, temos Child of The Sun, em que um grupo de fugitivos encontra um planeta, que não devia existir, numa órbita mais próxima do Sol que a do próprio Mercúrio, onde têm que enfrentar um alienígena pseudo-omnipotente que quer escravizar humanos para sua diversão. Gostei bastante, mais pelo tema que me fez lembrar algumas histórias do Star Trek original.

Numa nota final, uma curiosidade: a autora, Leigh Brackett, para além da produção de prolífica de histórias na forma de conto e novela, também trabalhou como argumentista. Sabem em que filme chegou a trabalhar? The Empire Strikes Back. A sua proposta de argumento não chegou a ser utilizada, mas muitos conhecedores da sua obra afirmam que se nota bem a influência em diálogos e outros elementos do filme.

...e o livro contendo as três histórias

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Edison's Conquest of Mars

Mais uma pérola que descobri por um grande acaso, durante as minhas deambulações pela net. E como apreciador destas curiosidades, rapidamente tive de localizar um exemplar e comprá-lo.

Não foi difícil, recorri à Amazon UK (algo que fazia frequentemente, até resolverem começar a roubar à descarada com os portes - pronto, finalmente disse mal às abertas) e lá estava ele.

De que trata então Edison's Conquest of Mars? Bem, como o título indica, é a conquista de Marte liderada pelo inventor americano Thomas Alva Edison (um dos meus ídolos de infância). Mas é mais que isso.

É, de certa forma, a primeira sequela de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells. Bem, é e não é. Estou a ser contraditório? Nem por isso, mas passo a explicar.

O livro de Wells foi um sucesso em Inglaterra aquando da sua publicação em 1897, e não deixou de chamar a atenção dos "primos americanos". Aparentemente, já na época não eram capazes de ver uma obra de sucesso sem resolverem partir para um remake. Resultado: dado que as leis de direito de autor eram muito mais laxas (quando não eram inexistentes), toca a publicar, no ano seguinte, Fighters from Mars, creditado a um tal "H.C. Wells" e que não era mais que uma versão adaptada e reduzida da obra original.

Segue-se então a história titular (inicialmente serializada e só mais tarde publicada em livro), escrita pelo astrónomo e autor de divulgação e FC, Garrett P. Serviss (alegadamente, também o autor de Fighters from Mars).

Esta obra retrata o contra-ataque dos humanos, organizada por uma coligação internacional e liderada pelo inventor Edison. Assim, trata-se de uma "edisonade" no sentido mais literal. Para quem não sabe o que é isto, trata-se de um género literário (amiúde considerado sub-género de FC) que retrata, modo genérico, as aventuras de um inventor e suas invenções, e que deriva da imagem popular criada em torno de Edison e afins.

A história, pelos padrões de hoje, não é nada de transcendente - reúne-se uma frota de naves com um sistema propulsor antigravitacional à base de electricidade, e leva-se a luta aos marcianos.
Chega-se a Marte, explora-se o sítio, descobre-se que os malvados ETs já andavam a visitar a Terra há muito tempo, a raptar e escravizar humanos e até a construir pirâmides e a Esfinge. No fim, derrota estrondosa dos alienígenas inundando-lhes as cidades e forçando a paz. Tudo através do engenho e artes do Sr. Edison.

Nada de novo, então. 

Excepto que... na época em que foi escrito, até era. 
Esta novela é apontada como sendo o ponto de introdução, pela pena de Serviss, de uma série de conceitos que se tornaram comuns na literatura e cultura de FC e não só, alguns mesmo rondando o cliché: armas de raio desintegrador, fatos espaciais, raptos por extraterrestres, envolvimento de alienígenas na construção de monumentos misteriosos, entre outros.

Assim, é talvez pelo valor histórico que esta obra se realça mais. Não é de certeza pela caracterização dos marcianos - humanóides grotescos (que no entanto serviram de modelo à Esfinge) que pouco ou nada têm a ver com a versão tentacular de Wells.

Ah, e nunca é demais repetir - é uma aventura científica com o Thomas Edison como protagonista. Para empolgar o meu miúdo interior, é quanto basta!


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mickey e a Guerra dos Mundos

Capa da recente edição em inglês. A acompanhar o
protagonista Mickey temos o Pateta como "O'Goofy",
uma alusão a Ogilvy, um dos personagens do original.
A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells é, como já expliquei noutro post, um clássico da literatura não só de ficção científica como da literatura em geral.

Assim, é natural encontrar adaptações a vários outros meios, como o cinema e, neste caso, a banda desenhada. Na realidade, existem múltiplas adaptações, algumas mais célebres que outras. Esta é uma delas, da qual guardo boas recordações - a versão Disney, com o Mickey Mouse como protagonista (a encarnar o narrador anónimo da versão original).



Originalmente produzida em Itália (um dos mais prolíficos países, se não o mais prolífico, no que toca à criação de BD da Disney), é uma adaptação que segue com bastante fidelidade o enredo original.


Naturalmente que, tendo o público infanto-juvenil como alvo, a história é simplificada e aligeirada - embora os marcianos sejam detentores de raios de calor e do letal fumo negro, não provocam uma única baixa - apenas danos materiais e alguns traseiros chamuscados.
Eis que surgem os trípodes.
Capa de uma edição em Italiano
Mais, os marcianos são refilões, falam por hieroglifos e conseguem não ter nada do ar grotesco que normalmente os caracteriza. Embora pareçam, para ser honesto, um cruzamento entre um cão e um polvo. OK, isto parece estranho dito desta maneira. Creio que só vendo para entender.

De resto, temos o enredo das quedas dos cilindros, dos ataques marcianos a partir das crateras, os incortonáveis trípodes (sendo que nesta versão me parecem mais funcionais que em muitas outras que já vi), as fugas, a resposta humana (ou mais propriamente, humanóide) e a derrota dos marcianos pelas doenças terrestres. Tal como com os invadidos, ninguém morre entre os invasores, mas ficam muito constipados e decidem ir-se embora. E, já que têm um nariz batatudo à boa moda da Disney, ficam com bastante pingo.


Uma versão mais bem-humorada deste clássico, e uma boa maneira de o dar a conhecer aos mais novos.

 
Uma edição em português pela Editora Abril

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mars Attacks

Em 1962, a empresa Topps lançou uma colecção de trading cards entitulada "Mars Attacks". Tratava-se de uma série de figuras que contava uma invasão marciana ao nosso planeta (Marte estava moribundo e os Marcianos precisavam de um planeta novo), causando devastação generalizada, até os humanos conseguirem contra-atacar.

A colecção foi considerada muito violenta para os padrões da época, tendo sido auto-censurada pela companhia antes do lançamento (levando a modificações radicais de vários dos cromos da colecção, especialmente a nível da arte), sendo que a própria companhia a lançou com o pseudónimo "Bubbles Inc." em pacotes com 5 cartões e uma pastilha elástica.

A colecção, contudo, tornou-se bastante popular, ganhando estatuto de culto nos anos seguintes, sendo que os cromos originais se tornaram bastante valiosos, especialmente atendendo à sua raridade. Ganhou nova popularidade nos anos 80 e 90, sendo desenvolvido um franchise, inicialmente com lançamento de BD pela Topps, mas, especialmente, graças ao filme homónimo de Tim Burton.
Actualmente, é alvo de produção de uma nova série de BD, desta vez pela IDW Publishing, que também relançou a série original dos anos 90 no título "Mars Attacks Classics".


Capa do livro, recreando as embalagens
originais dos anos 60
Este livro, da Abrams Comicart, comemora os 50 anos do lançamento da série original e conta com a colaboração de Len Brown (um dos criadores da colecção e escritor dos textos dos cromos) e Zina Saunders (filha de Norman Saunders, o pintor da série).

Começa por relatar a história de criação da colecção (inicialmente designada como "Attack From Space", tendo o nome sido alterado para ficar mais curto e ser mais apelativo), falando na polémica associada ao lançamento, as cartas de reclamação (alegadamente escritas a mando de pais e professores, dado que os miúdos que as escreviam aparentemente gostavam muito dos cromos).

Depois temos a reprodução dos 55 cromos (frente e verso, com as imagens recuperadas a partir das transparências originais) contando a história da invasão, cheia de temas pulp e clássicos dos filmes da série B (discos voadores, insectos gigantes, raios da morte, robots...), todos eles com anotamentos sobre o cromo e/ou sobre a série, dando informação adicional sobre os problemas associados à mesma em termos comerciais e sobre o atingimento do estatuto de culto.

Na secção seguinte temos a adição de uma série extra de 11 cromos lançada como complemento ao relançamento do colecção original no início dos anos 90, com alguns "momentos soltos" a serem acrescentados à  história original.

Finalmente, temos uma secção de extras com reprodução de arte mais contemporânea relativa à série, posters promocionais, concept art e versões alternativas de alguns dos cromos.
Um pequeno brinde para os coleccionadores...
O livro encerra com um posfácio de Zina Saunders acerca do pai, recordando como a própria gostava, em criança, de "melhorar" algumas das suas pinturas às escondidas, entre outras memórias.

Esta edição oferece ainda 4 cromos em cartão, exclusivos deste lançamento, com elementos adicionais da história.

Para fãs da série, é uma oportunidade óptima de possuir, ainda que sob a forma de reprodução, a série original integral sem ter de andar "à caça" (dispendiosa) na Internet. É também um livro engraçado para apreciadores do género "invasão extraterrestre série B".

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A Guerra dos Mundos

"No one would have believed in the last years of the nineteenth century that this world was being watched keenly and closely by intelligences greater than man's and yet as mortal as his own; that as men busied themselves about their various concerns they were scrutinized and studied, perhaps almost as narrowly as a man with a microscope might scrutinize the transient creatures that swarm and multiply in a drop of water. With infinite complacency men went to and fro over this globe about their little affairs, serene in their assurance of their empire over matter. It is possible that the infusoria under the microscope do the same."



Com estas frases (no original em inglês) se inicia um clássico da literatura de ficção científica, The War of the Worlds (A Guerra dos Mundos) de Herbert George Wells.

É uma das minhas histórias de FC favoritas. O meu primeiro contacto com ela foi através da colecção de banda desenhada "Clássicos RTP", lançada em meados dos anos 80, e fiquei rapidamente fascinado com a história:
Uma invasão de Marte no final do século XIX (creio que na altura, sendo miúdo, não o estava a situar muito bem no tempo), com máquinas de guerra aparentemente invencíveis a semear a destruição por onde passavam. Tripuladas por monstros semelhantes a polvos e chegando ao nosso planeta por via de disparos potentíssimos. Sim, os invasores e os seus equipamentos vêm no interior de projécteis cilindricos descomunais disparados da superfície do Planeta Vermelho.
Uma vez na Terra, iniciam, laboriosamente, o seu plano de destruir as nossas civilizações para ocupar o nosso planeta e usurpar os seus recursos. A história é contada do ponto de vista de um sobrevivente anónimo, separado da esposa no caos inicial da invasão e que relata diversos episódios que presenciara ou de que tomara conhecimento durante os tempos que se seguiram, até à derrota inesperada dos invasores.

Os Marcianos são derrotados não pelos humanos, cujas instituições bélicas faliram (em toda a história há apenas duas ou três máquinas de guerra marcianas destruídas por humanos), mas sim, num toque deliciosamente irónico, pelos microorganismos do nosso planeta, para os quais os invasores não tinham defesas. Ou seja, desde o dia um da invasão, estavam a adoecer, acabando por sucumbir ao fim de algum tempo.
Sorte nossa.

Este clássico viu numerosas adaptações e obras derivadas (por exemplo, sequelas não oficiais), fosse à banda desenhada (sendo exemplos a adaptação que mencionei, ou então a simpática versão da Disney, com o Rato Mickey como protagonista - nesta versão os Marcianos não morrem mas vão-se embora a espirrar e a fungar), ao cinema, a séries televisivas, a jogos de computador e mesmo uma versão em musical.
Naturalmente, foi traduzido em diversas línguas, entre as quais a nossa; o livro foi publicado várias vezes em Portugal (sou o possuidor da edição da colecção "FC de Bolso" da Europa-América, obtido na minha adolescência nos anos 90, lido e relido várias vezes, até recentemente o "substituir" por uma edição em inglês pela Tor Books), coincidindo uma das edições recentes com a adaptação da obra ao cinema na versão de Spielberg.

O livro é tido por muitos como uma alegoria e crítica ao imperialismo do século XIX (particularmente ao Britânico); não pondo de parte essa interpretação, o livro tem uma série de conceitos dignos de uma história de terror:
- A transição inicial de uma época de paz e prosperidade relativas para um estado de guerra total;
- Toda a impotência dos humanos face a invasores totalmente bizarros e incompreensíveis - os Marcianos são uma espécie de cérebros desencorporados com tentáculos que usam as máquinas como substituto dos corpos perdidos, um conceito que na época de lançamento do livro era originalmente alienígena e grotesco (se pensarmos bem, ainda é grotesco) - invasores que não podem ser parados, que destroem tudo por onde passam e exterminam os humanos, ou pior ainda, os caçam para se alimentarem (sendo essencialmente cérebros, não tinham sistema digestivo e necessitavam de transfusões de sangue com nutrientes para subsistirem, e os humanóides-gado que trouxeram morreram todos nas aterragens); os contactos com os invasores são sempre chocantes ou aterrorizantes, tais como no episódio da casa demolida com o protagonista preso lá dentro;
- Os trípodes de guerra, máquinas virtualmente imparáveis que usavam armamemento tecnologicamente avançado - raios de calor que carbonizavam humanos às dezenas ou fumo negro venenoso que se infiltrava nos sítios menos acessíveis onde os humanos se podiam tentar esconder - criando uma atmosfera de "não há fuga possivel".

É um livro cuja leitura me traz sempre qualquer coisa de novo; ainda hoje torço para que um dia alguém o adapte ao cinema de uma forma mais fiel que as até à data realizadas; não achei que a versão de Spielberg fosse má de todo, até seguia razoavelmente bem o enredo do livro, mas preferia uma versão de época - sem as lamechices do filme, e sem histórias mal-contadas sobre teletransportes para máquinas escondidas há muito tempo (vá lá, uma delas sai de um buraco no meio da cidade e vão-me dizer que nunca ninguém tinha dado por aquele colosso lá enterrado?). É verdade que a versão de Wells não pega bem na actualidade, mas mal por mal, acho mais divertido e adequado à época o conceito original.

Detalhe da capa da versão "FC de Bolso". Numa "gralha"
interessante, temos trípodes com 4 pernas...

Abri este texto citando o início do livro, parece-me adequado encerrá-lo com as linhas finais...

"And strange, too, it is to stand on Primrose Hill, as I did but a day before writing this last chapter, to see the great province of houses, dim and blue through the haze of the smoke and mist, vanishing at last into the vague lower sky, to see the people walking to and fro among the flower beds on the hill, to see the sight-seers about the Martian machine that stands there still, to hear the tumult of playing children, and to recall the time when I saw it all bright and clear-cut, hard and silent, under the dawn of that last great day... And strangest of all is it to hold my wife's hand again, and to think that I have counted her, and she has counted me, among the dead."

domingo, 25 de novembro de 2012

Marte Ataca!

Em 1996, Tim Burton lançou Mars Attacks!, filme baseado na homónima série de trading cards de 1962, retratando a invasão e quase aniquilação da humanidade por uma frota invasora marciana.

Burton apresenta, de forma humorística e na linha dos filmes de série B de invasões espaciais, com banda sonora à medida elaborada por Danny Elfman, uma pitoresca guerra dos mundos.


O filme inicia-se com a partida dos discos voadores (discos prateados clássicos, para não destoar) em direcção à Terra, partida essa que não passa despercebida aos humanos.
Estes preparam uma recepção à altura, a contar com um intercâmbio pacífico entre os povos, mas preparados (ou assim julgavam) para outras eventualidades.
Após um 1º contacto desastroso com muito humano pulverizado pelos marcianos, são pedidas tréguas e novas negociações, que terminam em... bem, em mais massacre de mais terrestres, talvez demasiado ingénuos para o seu próprio bem (à primeira quem quer cai, à segunda...).
Finalmente os humanos tentam ripostar, mas nem tudo corre bem. Até descobrirem acidentalmente uma arma secreta que aniquila os marcianos.


Este filme é considerado por muita gente uma patetice. E não deixam de ter razão. É um filme pateta, mas temos que nos lembrar que é um filme a homenagear o espírito série B dos anos 50-60. É baseado numa colecção de trading cards com uma invasão espacial com discos voadores, marcianos com cérebro hipertrófico e cara de caveira, pistolas de raios e insectos gigantes (estes últimos, infelizmente, não aparecem no filme). O filme é uma caricatura e uma homenagem a esse espírito.
Temos um rol de actores de renome - Jack Nicholson, Glenn Close, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Michael J. Fox, Sarah Jessica Parker, Annete Bening, para além dos então pouco conhecidos Natalie Portman e Jack Black, entre outros -, todos eles em papéis caricaturais (Jack Nicholson faz um papelão não só como presidente dos EUA como também como empresário cowboy em Las Vegas) bem dentro do tom do filme. E temos Tom Jones a fazer de si próprio. Para mim, essa é a parte mais estranha do filme.

Citações dos marcianos:

Comandante marciano: "Ack! Ack! Ack-ack aaack!"
Embaixador marciano: "Ack, ack! Ack-ack-ack! Ack!"
Soldado marciano: "Ack! Ack!"

(sim, os marcianos só conseguiam emitir um único som - ack - talvez por terem cara de caveira).

Um filme para nos divertirmos um pouco... e sem levar demasiado a sério.