Benvindos!


Bem-vindos!

Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A vida dupla do pai da Doutora Brinquedos

Quem já veio ler alguma coisa a este blogue sabe que costumo pôr posts a analisar alguma coisa que me entreteve, seja a dizer bem ou a desancar.

Desta vez, em vez disso (e porque ando com mais vontade de ler/jogar/ver filmes do que de falar sobre eles) vou partilhar uma revelação que tive outro dia.

Sendo pai de um rapazito pequenino, cá por casa são os canais de desenhos animados que têm primazia sobre o resto da programação, pelo menos em directo (graças a quem inventou a box, já consigo ver qualquer coisa). Isso significa que já tive oportunidade de me familiarizar com inúmeros personagens de cartoons, para bem ou para mal. Já dei por mim a cantar com a Gracie Lou (mas não com a Xana Toc-Toc, juro! A essa só tive vontade de atirar com uma granada de fragmentação), de me afligir com os descarrilamentos do Thomas a Locomotiva, de ver os amigos do Pocoyo a zangarem-se e a fazer as pazes, de lamentar as desgraças que recaem sobre o Corvo Calamidade (ok, ou de me rir delas, que querem?), de ver o Jake e os Piratas a coleccionarem dobrões de ouro, e por aí fora.

Actualmente, quem está na moda é a Doutora Brinquedos, no canal Disney Júnior. Confesso que é uma personagem de quem até gosto bastante. Tem uma clínica que é maior por dentro do que por fora, e gostaria imenso que isso significasse que ela era aparentada com o The Doctor, mas não me parece que aquilo seja um TARDIS. Acho que é mesmo ela que a imagina assim, tal como imagina os brinquedos-pacientes a ganhar vida. Também tem sempre um nome giríssimo para cada doença (ainda hoje vi diagnosticar a um tablet - que avariou por exposição solar - um caso complicado de "tempo-demais-ao-sol-plexia" - ou algo do género). Tem alguns companheiros divertidos, como o Tremeliques que é o primeiro, e talvez único boneco de neve de peluche hipocondríaco do mundo, ou o Rei Malvado, que não deixa o facto de não ter braços nem pernas impedi-lo de cometer simpáticas atrocidades. O que mais me baralha é o nome dela... Toda a família se chama "Brinquedos" (McStuffins em inglês), mas têm nome de gente (pelo menos o irmão, o Donnie). Ela não. Acho que "Doutora" é mesmo o nome próprio dela. Isto é que é os paizinhos a tentarem influenciar a escolha de carreira, hmm? E parece estar a resultar.

Uma família feliz. Ou será mesmo?




E é precisamente acerca da família dela, mais concretamente, do pai, que tive uma epifânia outro dia. E tive-a por um grande acaso. É que, actualmente, logo a seguir à Doutora Brinquedos, temos a Nina Já É Crescida, uma série com episódios curtos sobre uma psicopata chamada Nina que não aprende nem a martelo que tem de ir à casa de banho com tempo. Não, deixa-se sempre ficar até à última, e depois anda à rasca a tentar não se mijar pelas pernas abaixo enquanto corre para casas de banho que, por conveniência dramática, têm sempre uma pilha de obstáculos pelo caminho. Normalmente quem a safa é a Avó, e que é brindada com a repetida falsa promessa "Isto não torna a acontecer", já que o resto dos parentes são uns incapazes. O que inclui o pai.

Que é... o pai da Doutora Brinquedos! Sim, o sujeito leva uma vida dupla, com duas famílias diferentes, à descarada, à frente de toda a gente. Aposto que diz à Doutora, ao Donnie e à mãe que tem de ir tratar duns assuntos noutro sítio por uns tempos, e pimba! vai para a família da outra série, para a filhinha xixizeira que não se emenda.
Sinceramente, a Doutora merecia melhor.

Ora aqui está ele, a fazer-se de inocente, mas depois...
E dizem vocês, como é que me apercebi? Ora, pela voz! É a mesma! E podem argumentar "mas um deles é negro e o outro é branco". E eu respondo "Fez uns tratamentos à Michael Jackson". Mas reversíveis! E alguém diz "Os filhos dele são brancos na série da Nina", e eu explico, "Não são mesmo dele." Ele perfilhou-os. Que é a única razão para ter dois filhos inteligentes numa série e dois totós noutra. Bem, vendo bem, a mãe da Doutora parece ter dois dedos de testa, enquanto a da Nina parece mais destrambelhada que a filha. Se calhar todas as características dele são geneticamente recessivas e são os genes das mulheres que predominam e os dois totós até são filhos dele e... 
Ok, vocês têm razão, isso não funciona assim. Bolas. 

...muda de cor e foge para a outra família. Aqui está ele, todo blasé
como se nada fosse. Mas as semelhanças estão lá, a voz, o cabelo, a postura.

Mas a minha descoberta é válida. O fulano anda a viver com duas famílias diferentes em séries diferentes, e estava a tentar dar uma de Super-homem a ver se ninguém notava, como se mudar de cor de pele fosse disfarce suficiente. Não, não é. Tal como acontece com o Clark Kent, só ninguém se apercebe porque ninguém está à espera que ele tenha duas identidades.

Mas eu cacei-o! Haha!

Alguém devia pôr cobro a isto, digo eu!

"E tu devias ir dormir, a esta hora só escreves disparates", respondem vocês. E se calhar, com razão.

Mas o tipo tem vida dupla. E eu hei-de prová-lo! Just sayin'

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ultramarines: A Warhammer 40000 Movie


Este filme é a primeira produção cinematográfica passada no soturno universo de Warhammer 40000. 

Conta-nos a história de um grupo de Ultramarines, (o esquadrão Ultima) que, acabados de treinar, a bordo de um cruzador de ataque, estão ansiosos por provar o seu valor.
A oportunidade surge quando é preciso ir a um planeta recuperar um Codex que se encontra num altar guardado por uma guarnição de Imperial Fists que deixou de responder às comunicações, apenas enviando pedidos de ajuda.
O esquadrão, liderado pelo Capitão Severus e o Irmão Proteus, desce ao planeta, para rapidamente descobrir que o altar foi atacado por Chaos Space Marines da Black Legion, juntamente com um Chaos Daemon. 

Severus passa revista às tropas.
Entre muito tiroteio e mortandade (com um número de baixas elevado que inclui Severus), lá chegam ao local do altar, para encontrar os dois Imperial Fists sobreviventes, que ainda guardam o Codex.
Quando voltam ao local de recolha, os sobreviventes dos dois grupos enfrentam mais uma leva de guerreiros da Black Legion, ajudados por Severus, que afinal tinha sobrevivido ao embate com o Chaos Demon.
Já a bordo do cruzador, o ambiente não melhora. Proteus e Severus começam a acusar os Imperial Fists de terem sido maculados pelo Chaos, e acabam por entrar em confronto directo. Entretanto, descobre-se que Severus foi possuído pelo Chaos Demon quando o enfrentou, e o demónio pretende usar o cruzador para chegar a Macragge, o mundo lar dos Ultramarines.
Proteus enfrenta o monstro e consegue derrotá-lo recorrendo a um martelo de guerra, relíquia dos Ultramarines, demonstrando assim o seu valor.

Proteus. Apesar da armadura ser azul, ainda estava muito
verdinho quando tudo começou...

Ok, este é o resumo da história, com todos os spoilers a que os leitores têm direito.

Agora, algumas notas pessoais. Sou apreciador do universo do Warhammer 40K, não sendo no entanto, nem de perto nem de longe, fanático. Gosto bastante das histórias que li ou vi até hoje, e acho o universo cativante, particularmente tudo o que diz respeito ao Imperium humano. 
Nunca joguei o wargame de mesa, embora já tenha experimentado alguns jogos, como o Space Marine, e várias encarnações do Space Hulk (embora não a de tabuleiro - Shame on me!) incluindo o jogo de cartas Blood Angel.

Tudo a postos para um last stand... 

Assim, a história, escrita pelo veterano Dan Abnett, parece-me interessante, se bem que nada transcendente. Aqui, acho que estaria à espera de mais. Mas, por outro lado, é um filme de pouco mais de uma hora, não daria para romancear muito.
A animação (o filme é de animação CGI) é eficiente, mas tendo a concordar com várias críticas que li e que a acusam de parecer um bocado datada. Para além da "batota" do nevoeiro. Embora quanto a este aspecto, acho que não destoa do ambiente geral esperado - escuro e deprimente.
Tenho visto outros aspectos criticados, tais como as proporções corporais dos Space Marines ("deviam ser mais entroncados") ou a ausência de humanos normais no cruzador para servirem de escala aos Ultramarines. Acertadas ou não, parecem-me picuinhices; a mim não diminuíram em nada o prazer de ver o filme.

Como seria de esperar, violência não falta.

Quanto a actuações de voz, conta com alguns nomes conhecidos, como John Hurt, Terence Stamp e Sean Pertwee. Nada de actuações fenomenais, mas é sempre bom ouvir vozes de alguns veteranos (gosto particularmente de ouvir Stamp, embora uma parte de mim esteja sempre à espera de "Kneel before Zod"...)

O Capelão Carnak.

Portanto, o filme, sem ser uma obra prima, providencia um espectáculo mais que decente para apreciadores de FC, e especialmente, de Warhammer 40K. Posso dizer que gostei bastante. Acredito, realmente, que não encha as medidas aos fanáticos da marca. Como, conforme disse, não o sou, fiquei satisfeito...


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Final Fantasy - The Spirits Within


Final Fantasy - The Spirits Within é uma co-produção dos EUA e Japão, essencialmente de ficção científica, embora alguns elementos rondem a fantasia.

Pode dizer-se que, espiritualmente (e desculpem se isto parece piada fácil), está relacionado com a série de videojogos Final Fantasy, apesar de não ser baseado em nenhum título da série, ao contrário do que sucede, por exemplo, com Final Fantasy VII Advent Children.

O filme conta a história de um grupo de personagens que, em 2065, luta pela sobrevivência da humanidade, ameaçada pelo que aparenta ser uma invasão de alienígenas praticamente indestrutíveis (na realidade, podem ser destruídos mas são logo substituídos por outros iguais) e que matam apenas com o contacto físico, os Phantoms
Estes atacaram a Terra anos antes, provocando a queda de um meteoro enorme; a partir daí, começaram a espalhar-se pelo planeta, matando inúmeras pessoas e praticamente aniquilando a civilização humana.

Aki Ross
A protagonista, a Drª Aki Ross, juntamente com o seu mentor, o Dr. Sid, tentam reunir um conjunto de espíritos especiais que, esperam eles, quando combinados, neutralizarão os Phantoms  de modo permanente.

Pelo caminho, são ajudados pelo grupo de soldados do Capitão Grey Edwards, antigo companheiro de Ross, e perseguidos pelo General Hein, que crê que Ross está sob a influência dos alienígenas, dado ter sido infectada por um (e sobrevivendo no processo). O General não acredita que o plano de Ross e Sid possa ter sucesso, e usa a sua influência para conseguir autorização para o uso do canhão orbital Zeus contra o meteoro que serve de base aos invasores.

Na realidade, Ross criou um elo com os Phantoms que faz com que tenha repetidamente sonhos passados num cenário noutro planeta; os sonhos vão-se tornando mais completos, até que finalmente percebe: os Phantoms não são um exército invasor mas sim literalmente os fantasmas dos habitantes de outro planeta, que foi destruído por uma guerra. Um pedaço do planeta - o meteoro - atingiu a terra, e ligado ao seu campo energético, chamado Gaia, vieram esses fantasmas. O que se passa, então, é que quando um Phantom é supostamente destruído, na realidade apenas se dissipa e torna a reintegrar-se no meteoro.

O General Hein
Hein, obcecado com a destruição dos extraterrestres, recusa-se a acreditar nestas explicações e acaba por tentar destruir o meteoro, às custas do próprio canhão orbital, que explode no processo, e da sua própria vida; pelo caminho provoca danos ao campo Gaia da própria Terra, mas Ross consegue neutralizar a presença dos Phantoms com a combinação de espíritos a tempo de salvar o planeta.

Este filme, uma peça de animação de computador, tem uma história que não destoaria num videojogo Final Fantasy, como já mencionei.
O que não é de admirar, dado que a produção foi da Square Pictures, ramo da Square Enix, que produz os videojogos homónimos e o director, Hironobu Sakaguchi, é o próprio criador da série.
Visualmente, é um filme com bastante beleza, e tem envelhecido bem, tendo em conta que já data de 2001; tecnicamente os personagens, fotorrealistas continuam credíveis do ponto de vista de aspecto, ou seja, não são piores que alguns de produções mais recentes - lembro-me de ter ido ver este filme ao cinema e a pessoa que estava comigo, não sabendo que era um filme de animação, ter apenas achado que os "actores pareciam um bocadinho artificiais", quando na realidade não eram actores nenhuns...
Os cenários, veículos, equipamentos e afins têm o grau de detalhe esperado num filme deste género; a actuação de voz conta com nomes sonantes como Donald Sutherland, James Woods, Ving Rhames, Steve Buscemi e Alec Baldwin.

Uma boa opção para quando nos apetece ver um filme que combina uma história interessante com beleza visual.


Duas imagens das sequências de sonhos de Ross

domingo, 30 de março de 2014

Star Trek - The Animated Series


A tripulação.


Star Trek é, gostem da série ou não, uma das maiores referências da FC em televisão (e noutros meios também, mas a TV foi onde o mito nasceu).

Criada por Gene Roddenberry, a série original teve três temporadas no final dos anos 60, até ser cancelada, pondo assim um fim abrupto à "Missão de cinco anos" da tripulação da mítica nave Enterprise.

Contudo, e a pedido de muitas famílias (ou pelo menos com o entusiasmo dos fãs), a série viu uma espécie de continuação num outro meio, em 1973. Mais concretamente, numa série de animação produzida pela Filmation sob a orientação de Roddenberry.
Assim, esta série, que embora se designasse unicamente "Star Trek" passou a ser chamada Star Trek - The Animated Series (ou ST-TAS) para a distinguir da série de imagem real, deu continuidade às aventuras da tripulação de James Kirk em mais 22 episódios com pouco mais de 20 minutos cada.

Contando com a maioria do elenco da série original (excepto Walter Koenig, que ainda assim colaborou escrevendo um episódio), a ST-TAS retomava a missão de exploração da mítica tripulação (excepto Chekov, por razões óbvias, e que foi "substituído" pelos personagens Arex e M'Ress) em histórias que não ficavam a dever à sua contraparte de imagem real.
Isto porque, não obstante alguns dos problemas tradicionais nas produções da Filmation (a maioria derivada de falta de fundos), esta série permitia, devido a tratar-se de animação, certas liberdades não exequíveis na série original - alienígenas mais credíveis (como o próprio Arex, um extraterrestre trípode e com três braços), cenários mais elaborados, cenas no espaço com múltiplas naves, e por aí fora.
Um dos pontos "fracos" era precisamente as vozes, dado que apesar de usarem o elenco original para dar voz aos personagens correspondentes, basicamente eram eles que faziam todas as vozes dos outros personagens, com algumas excepções em que entravam actores "de fora" (outra característica da Filmation).

Arex. Os três braços permitiam uns truques no que respeitava
a tocar instrumentos musicais.

M'Ress. Se eu disser que ela era uma gata, estou a fazer piadas
fáceis? Provavelmente.


A qualidade das histórias estava a par (ou até superava, por vezes) as da série de imagem real, contando com alguns talentos de renome da época na escrita, como Larry Niven e D.C. Fontana (autora de material da série original).
Contudo, por decisão de Roddenberry, a maioria do material foi considerado "oficioso", ou seja, sem repercussão no cânone para séries futuras. Alguns factos foram aproveitados, mas o regresso dos Tribbles, de Cyrano Jones ou Harry Mudd apenas existiram nessa série.
Apesar disso, a série introduziu alguns conceitos interessantes, como a "Rec Room", era basicamente um "Holodeck" como os que passaram a ser profusamente utilizados a partir da série "The Next Generation".

Alguns personagens da Original series reapareceram, tal
como Harry Mudd...
...e o não menos infame Cyrano Jones, com Tribbles atrás.


Não obstante ser considerada não-canónica, ST-TAS não deixa de ser uma série de FC com qualidade, ainda mais interessante por ser uma série de animação, e para fãs de Star Trek, uma oportunidade de acompanhar a tripulação original (e provavelmente a mais carismática, não desfazendo nas seguintes) em mais uma série de peripécias...

A USS Enterprise.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Iron Man - Rise of The Technovore

Este filme de animação do Homem de Ferro, "Rise of the Technovore", é algo de invulgar.
Trata-se de uma produção japonesa em parceria com a Marvel, e é, desse modo, um filme com mais de Anime (animação japonesa) do que de animação ocidental.
A história envolve um ataque contra Tony Stark (o Homem de Ferro) por um inimigo misterioso que usa uma bioarmadura com tecnologia que nem Stark conseguia produzir, na altura em que as empresas do herói se preparam para colocar em órbita um satélite de vigilância topo de gama. Nesse ataque, o melhor amigo de Stark, Jim Rhodes (o War Machine) é morto, entre múltiplas outras baixas.
Stark passa a ser perseguido pela SHIELD, que investiga o ataque e quer apurar o envolvimento do herói no mesmo; após um confronto com mandroids numa das suas propriedades, enceta uma fuga para tentar descobrir a identidade do seu atacante misterioso, passando a ser caçado por dois agentes de topo (os heróis Hawkeye e Viúva Negra) e procurando o apoio do vigilante Punisher.
Posteriormente consegue descobrir quem o atacou (sendo que o atacante tem uma relação importante com o passado de Stark - e que é paralela à sua versão na BD) e ainda mais, o plano desse inimigo, que, a ser concretizado, poderá destruir a civilização como a conhecemos.
O elenco de heróis do filme... falta só o Nick Fury
Bom, tentei não revelar demasiado da história; passo então a analisar alguns dos aspectos do filme.
Como referi, o filme é essencialmente um Anime, e tal vê-se desde o início. A estética é típica dos filmes japoneses (embora o design dos personagens seja uma amálgama do material de origem da BD americana e dos filmes do universo cinemático da Marvel, mais concretamente os do Homem de Ferro e dos Vingadores), o que é muito patente no inimigo misterioso de Stark e no seu quartel e no conflito final do filme (com aspectos conceptuais que me faziam recordar, à cabeça, os filmes e série do Ghost in the Shell e a colecção de curtas Animatrix).
Homem de Ferro em versão Anime.
A história, embora pudesse perfeitamente ter sido criada por americanos, tem alguns momentos de reflexão  sobre tecnologia que envolvem alguns conceitos filosóficos, especialmente no discurso do vilão, o que a torna mais oriental.
A inclusão de múltiplos elementos visuais retirados dos filmes da Marvel fazem pensar que o filme será parte desse universo cinemático. Provavelmente, não oficialmente.
Onde senti mais falhas foi nos diálogos do protagonista - creio que tentavam adoptar em vários momentos a pseudo-imaturidade patente nos filmes, mas sem grande sucesso. Os restantes diálogos não estão mal conseguidos, especialmente os do vilão e os do Punisher. Ainda aqui, os actores de voz apenas conseguem um trabalho competente, mas sem grande brilho (refiro-me aos actores da versão em inglês, que foi a que eu vi); provavelmente os da versão japonesa transmitiriam mais entusiasmo. Mesmo assim, iria ser algo irreal ouvir o Homem de Ferro a gritar em japonês...
O filme é, em suma, uma abordagem diferente por orientais de um personagem ocidental, abordagem essa que se torna interessante, apesar de poder causar alguma estranheza...
O vilão. Um personagem que não destoaria em histórias nipónicas
tais como as da série Evangelion.

domingo, 16 de junho de 2013

LEGO - As Aventuras de Clutch Powers

E agora, algo de diferente (OK, não escrevi "totalmente" para não plagiar os Monty Python).

Descobri este filme num cesto de promoções, daqueles com filmes quase de graça para serem despachados. Sendo os LEGO uma parte importante da minha vida (quer na infância, quer actualmente), não resisti a trazê-lo, mais por curiosidade do que por outra razão.

Capa do DVD, em inglês
As Aventuras de Clutch Powers é um filme de animação de computador, com elementos de humor, fantasia e de ficção científica, que conta a história do herói aventureiro Clutch Powers, uma celebridade no seu mundo, que tenta capturar alguns prisioneiros fugidos de uma prisão espacial de alta segurança, sendo apoiado por um grupo de heróis bastante heterogéneo.
Na realidade, o filme centra-se apenas no 1º dos 3 prisioneiros, dando abertura para uma continuação que, tanto quanto sei, nunca foi feita. Talvez ainda esteja na calha.


O grupo dos heróis - da esquerda para a direita: Brick Masterson, Bernie von Beam,
Peg Mooring, Clutch Powers, Kjeld Playwell e Arthur "Artie" Fol


O filme, dentro do género, não tem uma história particularmente inovadora, embora as mudanças de cenário sejam engraçadas - começa numa caverna onde Clutch anda à procura de cristais de energia, passa para o ambiente urbano de LEGO City, com uma viagem pelo espaço profundo até ao cenário principal, um planeta de aspecto medieval onde se encontra o vilão, o feiticeiro Mallock.

Mallock the Malign, o vilão do filme
O que torna o filme interessante, na realidade, é o facto de se tratar de um filme sobre mini-figuras de LEGO. E sobre LEGO.
No universo do filme, as mini-figuras (ou "minifigs") espalharam-se por vários mundos; as leis da física são mais "Leis de LEGO" - os personagens podem desfazer-se em bocados e tornar a montar-se; trocam de cabelo entre si para se disfarçarem; quando algo é destruído, as peças podem ser usadas para construir outras coisas (é assim que o grupo de Powers consegue arranjar uma nave nova quando ficam encalhados no planeta-prisão, por exemplo).

Os criadores incluem ainda algumas referências a sagas famosas do cinema, como Indiana Jones (quando Powers suspira "Rock Monsters. Why did it have to be Rock Monsters?") ou Star Wars (quando o Troll tenta enganar dois esqueletos do exército do feiticeiro com um truque mental "This is not the man you're looking for"). Curiosamente, estes dois franchises também têm uma versão em LEGO, com brinquedos, jogos e mesmo filmes.

Um filme que apela a fãs de LEGO e que é bom não só para miúdos-miúdos como para o miúdo dentro de nós...

Skelly & Bones, dois esqueletos com senso comum suficiente para
assitirem à batalha final comendo pipocas em vez de irem para o campo de batalha...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Renascimento

Paris, no futuro. Uma cidade em que todos os movimentos são vigiados e gravados, e em que a beleza e juventude se tornam produtos de consumo.
O capitão Karas, da polícia, investiga o desaparecimento misterioso de uma jovem cientista, aparentemente raptada quando se dirigia para um turno de serviço na empresa Avalon.
A empresa em questão efectua pesquisa genética, e a desaparecida era uma das principais investigadoras na área do tratamento da progeria (uma doença - real - que provoca envelhecimento e morte prematura).
Pelo caminho, Karas encontra vários personagens que nem sempre são o que parecem, desde o Dr. Muller - mentor da jovem desaparecida - à irmã da cientista (com quem se envolve), passando pelo algo sinistro Mr. Dillenbach, director da Avalon. Além disso, o rapto é só a ponta do icebergue, acabando por desvendar algo muito mais avassalador do que a simples pesquisa contra uma doença.
E não consegue um final particularmente feliz...

Trata-se de um filme de animação de produção francesa, embora falado em inglês (pelo menos na versão que eu tenho, contando com algumas vozes conhecidas, como Daniel Craig e Ian Holm) e que captura o feel de filmes policiais tipo "film noir", neste caso em contexto de ficção científica, com um cheirinho a Blade Runner. E é no aspecto gráfico que este filme se salienta. A história, sem deixar de ser interessante, não é particularmente revolucionária, cumprindo decentemente o seu papel. Mas é mesmo o aspecto visual que chama a atenção.
Trata-se de animação de computador com captura de movimentos dos actores, traduzindo-se depois num aspecto visual a preto e branco quase sem tons de cinzento e apenas com notas de cor em 2 cenas; o grafismo é reminiscente de banda desenhada, neste caso particular assemelhando-se ao estilo de Frank Miller na sua série Sin City. Os personagens estão muito bem conseguidos, e a captura de movimento dá-lhes um aspecto realista, os elementos de cenário conseguem um bom contraste entre antigo e novo, aspecto patente principalmente na combinação de elementos clássicos na cidade com elementos futuristas (por exemplo, bairros antigos decorados com hologramas). Numa nota curiosa, o Citroën de Karas foi mesmo desenhado pela fabricante francesa de automóveis.
Assim, o ambiente torna-se quase um personagem, tão importante como o próprio protagonista da história.

Um filme pouco conhecido e que vale a pena descobrir.