Benvindos!


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Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A vida dupla do pai da Doutora Brinquedos

Quem já veio ler alguma coisa a este blogue sabe que costumo pôr posts a analisar alguma coisa que me entreteve, seja a dizer bem ou a desancar.

Desta vez, em vez disso (e porque ando com mais vontade de ler/jogar/ver filmes do que de falar sobre eles) vou partilhar uma revelação que tive outro dia.

Sendo pai de um rapazito pequenino, cá por casa são os canais de desenhos animados que têm primazia sobre o resto da programação, pelo menos em directo (graças a quem inventou a box, já consigo ver qualquer coisa). Isso significa que já tive oportunidade de me familiarizar com inúmeros personagens de cartoons, para bem ou para mal. Já dei por mim a cantar com a Gracie Lou (mas não com a Xana Toc-Toc, juro! A essa só tive vontade de atirar com uma granada de fragmentação), de me afligir com os descarrilamentos do Thomas a Locomotiva, de ver os amigos do Pocoyo a zangarem-se e a fazer as pazes, de lamentar as desgraças que recaem sobre o Corvo Calamidade (ok, ou de me rir delas, que querem?), de ver o Jake e os Piratas a coleccionarem dobrões de ouro, e por aí fora.

Actualmente, quem está na moda é a Doutora Brinquedos, no canal Disney Júnior. Confesso que é uma personagem de quem até gosto bastante. Tem uma clínica que é maior por dentro do que por fora, e gostaria imenso que isso significasse que ela era aparentada com o The Doctor, mas não me parece que aquilo seja um TARDIS. Acho que é mesmo ela que a imagina assim, tal como imagina os brinquedos-pacientes a ganhar vida. Também tem sempre um nome giríssimo para cada doença (ainda hoje vi diagnosticar a um tablet - que avariou por exposição solar - um caso complicado de "tempo-demais-ao-sol-plexia" - ou algo do género). Tem alguns companheiros divertidos, como o Tremeliques que é o primeiro, e talvez único boneco de neve de peluche hipocondríaco do mundo, ou o Rei Malvado, que não deixa o facto de não ter braços nem pernas impedi-lo de cometer simpáticas atrocidades. O que mais me baralha é o nome dela... Toda a família se chama "Brinquedos" (McStuffins em inglês), mas têm nome de gente (pelo menos o irmão, o Donnie). Ela não. Acho que "Doutora" é mesmo o nome próprio dela. Isto é que é os paizinhos a tentarem influenciar a escolha de carreira, hmm? E parece estar a resultar.

Uma família feliz. Ou será mesmo?




E é precisamente acerca da família dela, mais concretamente, do pai, que tive uma epifânia outro dia. E tive-a por um grande acaso. É que, actualmente, logo a seguir à Doutora Brinquedos, temos a Nina Já É Crescida, uma série com episódios curtos sobre uma psicopata chamada Nina que não aprende nem a martelo que tem de ir à casa de banho com tempo. Não, deixa-se sempre ficar até à última, e depois anda à rasca a tentar não se mijar pelas pernas abaixo enquanto corre para casas de banho que, por conveniência dramática, têm sempre uma pilha de obstáculos pelo caminho. Normalmente quem a safa é a Avó, e que é brindada com a repetida falsa promessa "Isto não torna a acontecer", já que o resto dos parentes são uns incapazes. O que inclui o pai.

Que é... o pai da Doutora Brinquedos! Sim, o sujeito leva uma vida dupla, com duas famílias diferentes, à descarada, à frente de toda a gente. Aposto que diz à Doutora, ao Donnie e à mãe que tem de ir tratar duns assuntos noutro sítio por uns tempos, e pimba! vai para a família da outra série, para a filhinha xixizeira que não se emenda.
Sinceramente, a Doutora merecia melhor.

Ora aqui está ele, a fazer-se de inocente, mas depois...
E dizem vocês, como é que me apercebi? Ora, pela voz! É a mesma! E podem argumentar "mas um deles é negro e o outro é branco". E eu respondo "Fez uns tratamentos à Michael Jackson". Mas reversíveis! E alguém diz "Os filhos dele são brancos na série da Nina", e eu explico, "Não são mesmo dele." Ele perfilhou-os. Que é a única razão para ter dois filhos inteligentes numa série e dois totós noutra. Bem, vendo bem, a mãe da Doutora parece ter dois dedos de testa, enquanto a da Nina parece mais destrambelhada que a filha. Se calhar todas as características dele são geneticamente recessivas e são os genes das mulheres que predominam e os dois totós até são filhos dele e... 
Ok, vocês têm razão, isso não funciona assim. Bolas. 

...muda de cor e foge para a outra família. Aqui está ele, todo blasé
como se nada fosse. Mas as semelhanças estão lá, a voz, o cabelo, a postura.

Mas a minha descoberta é válida. O fulano anda a viver com duas famílias diferentes em séries diferentes, e estava a tentar dar uma de Super-homem a ver se ninguém notava, como se mudar de cor de pele fosse disfarce suficiente. Não, não é. Tal como acontece com o Clark Kent, só ninguém se apercebe porque ninguém está à espera que ele tenha duas identidades.

Mas eu cacei-o! Haha!

Alguém devia pôr cobro a isto, digo eu!

"E tu devias ir dormir, a esta hora só escreves disparates", respondem vocês. E se calhar, com razão.

Mas o tipo tem vida dupla. E eu hei-de prová-lo! Just sayin'

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Doctor Who - The Forgotten

Gosto bastante do Doctor Who. Não sou fanático, e nunca vi episódios do 1º, do 2º ou do 3º Doctor. Vi alguns do 4º, bastantes do 5º, vários do 6º e do 7º. Nunca vi o filme com o 8º e ainda não deitei a mão ao 11º.
Quem me conquistou mesmo foram o 9º e o 10º. Particularmente o 10º.

Quem não conhece a série, neste momento deve achar que bebi uns copos a mais.
Eu explico. O personagem principal da série, conhecido apenas como "Doctor", é um alienígena (humanóide) de uma raça de viajantes (pelo espaço e, principalmente, pelo tempo) chamados Time Lords, do planeta Gallifrey.

O Doctor tem uma paixão particular pela Terra e, como tal, está sediado nela a maior parte do tempo, embora as suas aventuras o levem a todos os cantos do espaço e do tempo, e mesmo a outros universos.

A história dos números é a seguinte: sempre que um Time Lord está perto da morte, pode regenerar e transformar-se num sujeito novo - literalmente. O corpo físico altera-se, bem como certos traços da personalidade. Mantém as memórias das suas encarnações anteriores, bem como as suas características mais fundamentais. O resto muda. Assim, até 2012, e ao longo de décadas, tivemos já 11 encarnações diferentes do Doctor, cada qual com o seu look e as suas manias.
Na verdade, tratava-se de um artifício para poder prosseguir a série (entre nós desde 1963, com alguns hiatos) mudando o actor principal, mas tornou-se um elemento fundamental nos enredos de muitas histórias.

Assim, vimos já o Doctor a ter inúmeras aventuras, viajando no seu veículo TARDIS (que significa Time And Relative Dimension In Space, e que por fora está bloqueado com a forma de uma cabina telefónica azul da polícia mas por dentro é enorme e tem vários pisos), seguido por diversos companheiros e enfrentando todo um leque de inimigos - os Cybermen, os Sontarans, o Master, só para citar alguns, mas principalmente os Daleks - com quem os Time Lords tiveram a Guerra do Tempo, que culminou com a extinção aparente das duas facções, apenas com alguns sobreviventes.

Nesta história, The Forgotten, da autoria de Tony Lee e Pia Guerra (com colaboração de diversos outros desenhadores), temos o 10º Doctor amnésico, acompanhado de Martha Jones, encurralado num museu dedicado a si, num local inespecífico no tempo e no espaço.
Tenta recuperar a memória com recurso a objectos pessoais que usou nas primeiras 9 encarnações, que lhe trazem flashbacks e restauram parcialmente a memória.
Mas alguém que controla o museu quer que ele regenere uma vez mais, e não que recupere as suas memórias e habilidades.
Nesta história, nada é o que parece à primeira vista... O inimigo, que parece ser familiar - demais; Martha, com comportamentos e informações que não devia ter; o próprio desaparecimento misterioso do TARDIS.

Esta é, à semelhança do que tenho feito noutros posts, uma revisão de uma obra mais dirigida a quem aprecia o material de origem, como acontece comigo. Sendo esse o caso, a mini-série, entretém e diverte por um bocado, tendo ainda alguns insights sobre a Guerra do Tempo (para aqueles a quem escapou alguma coisa ao ver a série de TV); e se o vosso Doctor favorito for o 10º (que até à data foi o que mais gostei), vale a pena espreitar esta história...


Capa do TPB, com ilustração de Ben Templesmith