Benvindos!


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Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Iron Man Noir

Na vertente multiverso da Marvel, foi criada a série "Noir", que conta com vários títulos que apresentam versões dos heróis reimaginados como personagens noir típicas de filmes e pulps dos anos 30-40,.

Iron Man Noir é uma dessas séries. Escrita por Scott Snyder (famoso pelo seu trabalho na DC Comics na série American Vampire, em histórias do Batman e recentemente também no relançamento do Swamp Thing) e ilustrada por Manuel Garcia, conta as peripécias de Anthony Stark, industrial e aventureiro, herdeiro do desaparecido herói Howard Stark, na década de 1930, durante a ascenção da Alemanha Nazi.

Tony tem uma lesão cardíaca e usa tecnologia repulsora (tal como a sua contraparte do universo principal, pelo menos numa versão mais anos 30) e procura uma fonte de energia que permita manter eficazmente o aparelho eléctrico que lhe mantém o coração a funcionar.

Durante uma expedição, Tony é traído pela sua companheira Gialetta Nefaria, que foge com uma máscara de Jade à qual o seu rosto fica colado num incêndio (tornando-se assim a versão deste universo da Madame Masque, embora nunca seja tratada por esse nome). Gialetta é na realidade aliada dos Nazis Heinrich Zemo e Wolfgang von Strucker e abandona Stark para morrer, após executarem Virgil Munsey, outro companheiro de aventuras de Tony (e que serve de cronista das suas aventuras).

Quando Tony se salva com a ajuda de Jim Rhodes, descobre que Nefaria deixou para trás, muito a propósito, informação sobre a localização da civilização perdida da Atlântida. Ora, para além da aventura apelar ao nosso herói, a Atlântida era repositório de um metal supercondutor e acumulador de energia, o mítico Orichalcum (ou Oricalco, em português).

Vendo uma hipótese não só de impedir o acesso dos Nazis a essa fonte de energia como também de resolver os seus problemas de coração (não no sentido romântico), Stark monta nova expedição, com o seu leal parceiro Jim Rhodes e acompanhado também de Pepper Potts (a sua nova cronista) e de Namor (que aqui é um pirata de um grupo que corta as orelhas para ficar com elas afiadas como a barbatana dorsal e possui uma embarcação lendária - Dorma - disfarçada de barco velho).

Os heróis encontram a Atlântida e o Oricalco, embora rapidamente se revele que tal foi uma armadilha montada pelos Nazis para localizarem mais rapidamente o metal (presente num tridente de Neptuno, que os Nazis roubam).

Stark e Rhodes envergam então duas armaduras de combate voadoras (análogas às de Iron Man e War Machine) e vão enfrentar os vilões. O plot twist aqui é a revelação que Zemo é na realidade Howard Stark, capturado pelos alemães e submetido a lavagem cerebral, com uma mistura de Zolpidem, Etanol, Metilcloreto e Ofentonil... ou ZEMO, de onde vem o nome.

Após o conflito final, em que derrotam o grupo de Nazis e resgatam Pepper, que fora feita prisioneira, Stark decide passar a usar os seus talentos e meios para ajudar a humanidade em vez de ter apenas aventuras para entretenimento.

Devo dizer que esta história me deixou sentimentos ambivalentes; por um lado está bem escrita e com alguns detalhes giros na adaptação, para além dos que já referi - por exemplo, "Happy Hogan", em vez do tradicional aliado de Tony Stark, é um submarino, e Jarvis é o seu mentor e ajudante oficinal em vez de um mordomo.
Por outro lado, sabe a pouco, e parece ter pouca história. Gostaria de ter visto mais Iron Man e menos Stark... Até porque as armaduras fazem lembrar, muito apropriadamente, versões blindadas e armadas do Rocketeer, outro herói que não destoaria neste ciclo de histórias.
A arte não é má, mas estando habituado a desenhos mais... sei lá? "Homem-de-Ferrescos"? como os de Salvador Larroca, no ciclo de Matt Fraction, estes pareciam um bocado orgânicos demais - até antiquados.

Em todo o caso, é um álbum de BD que vale a pena ver, quanto mais não seja para uma versão alternativa do "Cabeça de Lata" favorito de muita gente.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Spear of Destiny

O ecrã de abertura, adequadamente ominoso...

Depois de já ter aqui falado do Wolfenstein 3D, da sua versão de Natal, e de uma série de FPS com algum tipo de relação com o Wolf 3D, parece-me lógico relembrar o Spear of Destiny.

Apesar de ter sido lançado depois do clássico Wolf 3D, o Spear of Destiny (ou SoD, como também ficou conhecido) não era uma sequela (afinal, o herói, Blazkowicz, já eliminara por si só praticamente todo o alto comando alemão e Nazi, Hitler incluído), mas sim uma prequela.

Dito isto, então, de que trata o jogo?

A mesma coisa que o seu antecessor - matar Nazis e frustrar os planos do 3º Reich. Tematicamente, a grande diferença é que estamos incumbidos de roubar a lendária Lança do Destino (que dá o título ao jogo), um artefacto místico que, reza a lenda, torna o seu possuidor invencível. Ou seja, neste jogo passamos um bocado da temática predominante de mad science do jogo original (que rodava muito em torno de uso de mutantes, armas secretas, etc.) para a temática do misticismo, através da figura da Lança (o que de resto vai ao encontro do tema recorrente do emprego pelos Nazis de artefactos mágicos e afins, presente na cultura popular e usado em livros, filmes, etc. Lembram-se do Indiana Jones?).

Assim, temos que atravessar 18 níveis de tiroteio na sua encarnação de FPS primordial até chegarmos ao nível final... SoD não está dividido em episódios, como o seu irmão mais velho; é, sim, um episódio único mais longo, com vários bosses disseminados, e um inimigo final muito peculiar - um Anjo da Morte, cuja derrota é essencial para nos apoderarmos da lança. 

A Lança do Destino. O nosso Santo Graal neste jogo. Não espera, o Santo
Graal aparece noutras histórias...

É um "boss-surpresa", por assim dizer; após derrotarmos o que parece ser o inimigo final (um Death Knight Nazi) e apanharmos a famigerada Lança, somos transportados para o que parece ser outro mundo (o 19º nível do jogo, na verdade), onde enfrentamos o dito Anjo; só depois de ele cair por terra é que temos direito ao troféu. 

Pelo caminho, podemos ainda descobrir dois níveis secretos.

De certa forma, este esquema foi repetido na sequência Doom e Doom 2; o segundo também é um único episódio, com níveis novos e alguns acrescentos, mas usando basicamente o mesmo motor gráfico e sem revolucionar muito o original. Na realidade, o Doom 2 até acrescentou mais novidades; o SoD nem acrescentava armas novas. Tinha níveis novos, uma caixa de munições maior, os bosses e uns fantasmas que acompanhavam o Anjo da Morte; se a memória não me falha tinha algumas músicas e texturas novas, mas a coisa ficava por aí. Tenho ideia que o som seria mais nítido, mas confesso que não me lembro bem o suficiente (já sei, já sei, era uma razão para revisitar o jogo).

Um fantasma. Uma novidade neste jogo.

Uma novidade interessante era a sequência semi-animada no fim e as imagens que passavam nos créditos -  completamente datadas hoje em dia, mas na altura fazia sentirmo-nos recompensados...

Os 5 mauzões da fita. Curiosamente, um deles é o irmão de dois
dos bosses no Wolf3D (os irmãos Grosse) e o Übermutant é a versão XXL dos mutantes
que aparecem no 2º episódio do jogo original (e um bocado espalhados no SoD)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Doom 2

Ecrã de abertura

Após o sucesso esmagador de Doom, a id Software não perdeu tempo a criar uma sequela.
Começando no ponto em que o seu antecessor terminava, ou seja, a invasão da Terra pelos demónios do Inferno, Doom 2 levou-nos através de uma saga em 30 níveis (mais 2 níveis secretos) a repelir a invasão, retornando ao Inferno e destruindo de uma vez os invasores, desta vez pela raiz (já explico adiante).
Assim, desta feita, e tal como sucedera com a sequela (que na realidade era a prequela) de Wolfenstein 3D, o Spear of Destiny, os programadores abandonaram a estrutura episódica de Doom/Ultimate Doom para criar um jogo linear.
As novidades? Além de 32 novos mapas com imensas novas texturas, uma carrada de inimigos frescos, muitos deles demónios ciborgues. E quase todos mais difíceis de matar que os do jogo inicial (os quais retornam, sem excepção). Mas nada tínhamos a recear, já que o arsenal também foi ampliado... com uma caçadeira nova.
Parece pouco? E é, embora o impacto da super shotgun de canos duplos não fosse dispiciendo, não era suficiente para equilibrar as coisas. É que neste jogo, não só os combates eram muito mais intensos (e como disse, com monstros bem mais lixados) como o próprio design dos níveis sofreu refinações maldosas - muitos níveis necessitavam de algumas acrobacias e bom timing para serem ultrapassados (leia-se "muitos saltos e corrida"), algo que no primeiro jogo não se verificava tanto.
Não vou descrever todos os monstros novos, dado que podem encontrar isso pela net fora em detalhe, mas só para dar uma ideia, os brincalhões dos programadores introduziram algumas mecânicas novas para apimentar a coisa: os revenants, que lançavam mísseis que seguiam o jogador, os pain elementals, que atacavam cuspindo lost souls (as caveiras voadoras flamejantes já presentes no primeiro jogo) e um dos bichos mais detestáveis de todos, o archvile, que não só aguentava muita pancada como nos atacava com fogo místico do qual não havia fuga possível e nos projectava no ar (às vezes para precipícios) e que, quando não tinha nada melhor para fazer, recuscitava outros montros. Sim, estas duas belezas (os pain elementals e os archviles) permitiam inclusivamente que o nosso rácio de monstros mortos no final do nível ultrapassasse os 100%.

Dois pain elementals, um deles pronto a cuspir uma caveirita...

Um archvile. Estes tipos tinham várias maneiras de
nos estragar o dia
Estes aspectos têm o apogeu no último nível - o boss final, uma cabeça demoníaca gigantesca que ia gerando monstros, até encher a arena, e que só podia ser destruído acertando com rockets mesmo no meio da testa (o gerador de monstros). Parece simples? Não era. Nesta data não havia meio de apontar para cima e para baixo, e para meter o míssil no sítio tínhamos que usar um elevador e disparar 1 ou 2 segundos antes de o elevador atingir a sua altura máxima. Até porque o míssil tinha que atravessar um mini-túnel e acertar no cérebro. Sendo que o cérebro era...
...a cabeça de John Romero, um dos programadores, espetada numa estaca. Era possível vê-la se usássemos a batota de no clip e atravessássemos as paredes entrando dentro do monstro (o que também tornava ridiculamente fácil nesse caso). Sem batota, eram malabarismos para acertar no timing correcto enquanto combatíamos hordas de monstros. Destruindo a besta, a invasão terminava de vez (segundo o texto final do jogo), já que com a morte do super-demónio o próprio Inferno ia para... sei lá, para o Inferno?
O responsável por toda a nossa miséria. E lá dentro...
...não era todos os dias que podíamos
disparar contra um dos criadores do jogo.

Mas os easter eggs não ficavam pela cabeça de Romero. Os níveis secretos eram recreações do 1º nível do 1º episódio do Wolfenstein 3D e do último nível desse mesmo episódio (acedido como se se tratasse do nível secreto no fim do 1º nível - era adequadamente designado "super secret level"), completos com música desse jogo e com os oficiais das SS de uniforme azul. O boss do fim do nível era substituído por um cyberdemon e para desbloquear o interruptor que permitia terminar o nível, tínhamos que destruir 4 Commander Keens enforcados, numa piscadela de olho a outra das sagas da id Software.


Wolfenstein revisitado.


Mais uma cena estranha.
Doom 2, tal como o sucessor, gerou toda uma cornucópia de add-ons, níveis novos e por aí fora. Talvez dois dos mais interessantes sejam os que a própria id incorporou numa edição especial, Final Doom, com os episódios TNT Evilution e The Plutonia Experiment.
À medida que acabo de escrever este texto, estou a ficar com saudades... Especialmente da sensação de impacto de destruir monstros menores com a super shotgun ou de andar a correr e disparar no magnífico caos que se instalava em algumas arenas...
Cerca de uma década mais tarde, a id lançou Doom 3. Este já não era uma sequela, mas mais uma reimaginação (ou um remake, se preferirem) do 1º jogo. Mas isso é história para outro dia...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Captain America (1990)

Nos tempos que correm, a tecnologia de efeitos visuais, especiamente os gerados em computador, permite adaptar qualquer super-herói ao cinema, com resultados visualmente credíveis (o resto do filme é que por vezes nem muito...).


Detalhe da capa do DVD. Visto assim dá uma primeira
impressão de que se trata de um filme de jeito...
Nem sempre foi assim, é claro; antigamente os efeitos visuais eram a maior limitação à criação de um filme decente de super-heróis. A versão cinematográfica do Capitão América de 1990, contudo, é um exemplo de filme em que os efeitos visuais fracos são o menor dos problemas...
 
 
 
Passo a explicar:
 
O filme começa na Itália fascista de 1936, em que um ajuntamento de Italianos e Nazis captura um miúdo que supostamente é um génio só porque toca piano muito bem.
Levam o puto de rastos para um laboratório secreto e tremendamente escuro (como é, de resto, metade do filme, sendo que a outra metade é aparvalhadamente clara e desbotada) onde estavam a fazer experiências em ratos, com um processo secreto que os torna duas vezes mais fortes e mais inteligentes, ao mesmo tempo que a pele deles fica vermelha, estalada e sem pêlos (tipo "carne viva").
Aplicam o processo ao miúdo, o que faz com que a cientista chefe do projecto e criadora do processo de transformação fuja, roída de remorsos.

E para onde é que ela vai? Para os EUA, onde nos sete anos seguintes recria o processo, desta vez sem estragar a pele das cobaias. O processo é então aplicado ao jovem Steve Rogers, um suposto deficiente devido à poliomielite e cuja deficiência se manifesta, basicamente, por mancar quando corre, numa maneira reminiscente dos "Silly Walks" dos Monty Python. Para fazer jus à história tradicional, mal o jovem é convertido num super-atleta, a cientista é assassinada por um espião, e como sempre, todos os detalhes do processo estavam na cabeça dela, pelo que o Capitão América é o primeiro e último super-soldado.

O Caveira Vermelha italiano, a sorrir
para a foto. Que simpático.
O Capitão é enviado para uma base inimiga para impedir o lançamento de um super-míssil contra Washington; nessa base enfrenta o super-vilão... Caveira Vermelha. Ou talvez se devesse chamar Cranio Rosso, dado que o famoso vilão Nazi neste filme é... sim, o miúdo italiano. Das várias liberdades tomadas nesta adaptação (algo que é sempre expectável, admito), esta é particularmente atroz. O vilão, mais habituado aos super-poderes do que o herói, consegue derrotá-lo e amarrá-lo ao míssil, que é lançado contra a Casa Branca, não sem perder a mão esquerda no processo (pelo que fica a gritar como uma menina...).
 
 
O Capitão consegue desviar o míssil no último momento, ressaltando de Washington para o Alaska, onde se despenha e fica congelado. É fotografado por um miúdo atónito que cresce para se tornar o Presidente do EUA, e grande adepto de políticas ecologistas (sendo que um Presidente ecologista dos EUA é talvez o ponto mais inverosímil do argumento).

O Caveira Vermelha restaurado. Consegue
ser mais assustador que a versão anos 30/40.
Em 1990, o Capitão é encontrado e descongelado por cientistas Alemães que se encontravam numa base no Alaska e foge para os EUA. Inicialmente encontrado por um amigo do presidente, pensa que tudo é uma armadilha Nazi, até porque é atacado pela filha do Caveira Vermelha. Este último fez um monte de cirurgias plásticas até parecer humano outra vez, pôs uma prótese a substituir a mão amputada e dirige um cartel terrorista com a ajuda da filha; os terroristas são na maioria italianas todas vamps e com sotaques tão falsos como as orelhas do Capitão América (nota: para quem não sabe, não conseguiam adaptar a máscara de modo a que as orelhas do actor saíssem correctamente pelos orifícios próprios, pelo que optaram por usar orelhas de plástico coladas dos lados).
 
O Presidente, durante uma cimeira em Roma, é raptado pela organização do Cranio Rosso (desculpem, Caveira Vermelha), que agora usa essencialmente o nome Tadzio Santis, o seu nome original; este quer controlar o Presidente de modo a que ele lhe entregue o poder nos EUA (e também que desista das suas ofensivas políticas ecologistas). O Capitão salta para a acção e vai até Roma. Acaba por encontrar a fortaleza do vilão, e depois de algumas cenas de tiroteio e pancadaria fraquitas, com muitos saltos e piruetas (não esqueçamos que o herói é um Super-Atleta), lá consegue atirar o Caveira para fora da fortaleza de modo a esborrachar-se alegremente nuns rocheros, e impedi-lo de detonar uma bomba nuclear que iria matar 70 milhões de pessoas (ou algo do género).

Em resumo: um filme que mutila alguns aspectos essenciais do personagem, com maus actores e com bons actores em maus papéis, com imagem ou muito escura ou muito clara (que em ambos os casos serve para ocultar a desgraça que o filme é) e com músicas lamechas a alternar com banda sonora que se esforça por ser heróica, mas sem o conseguir.
 
Ainda assim, nem tudo é mau. Este filme ensina-nos alguns factos muito interessantes: fitas magnéticas de 1936 mantêm a qualidade do som inalterarada até 1990 (CDs, DVDs e Blu-Rays para quê?!), mesmo com o gravador todo espatifado; antes do controlo paranóico nos aeroportos era perfeitamente possível passar com um escudo metálico na bagagem de mão (pelo menos o Capitão levou o dele para Itália num vôo normal); a tecnologia de próteses de 1990 era melhor que a actual (o Caveira usava uma mão de plástico da mesma maneira que usava a de carne e osso); é perfeitamente possível despistar 2 Porsches com um Fiat 500. O filme mostra ainda outras pérolas, mas estas são as minhas favoritas.
 
Uma curiosidade: o actor principal, Matt Salinger, é o filho de J.D. Salinger, o famoso escritor de "Catcher In The Rye". É óbvio que o filho não partilha a obsessão por perfeição que o pai tinha...
 
Um filme que ensina uma série de lições sobre o que NÃO fazer numa película do género.
 
Um ar tão apatetado como o filme em geral...
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Wolfenstein 3D

Wolfenstein 3D, ou apenas "Wolf 3D" para os amigos (era assim que lhe chamávamos há 20 anos), foi o primeiro first person shooter (FPS) que joguei. E que estreia!

Embora já antes deste jogo tivessem sido criados jogos de acção na perspectiva de 1ª pessoa (sem contar com simuladores de veículos), ou decorriam por turnos ("saltando" de unidade de terreno em unidade de terreno, como alguns RPGs) ou os controlos eram pouco práticos (ou lentos).



O ecrã de abertura do jogo

Wolfenstein 3D foi o primeiro em que nos movíamos de forma fluida e com controlos simples e que respondiam na perfeição. Sendo um jogo pouco exigente para a altura em que foi lançado (1992), pois já conseguia ser jogado num computador 286 (para a malta que ainda não era nascida nesse ano, saibam que esses computadores eram fraquitos, nesse ano reinavam os 486), era um jogo em que se saltava directamente para a acção, e num computador mais potente os movimentos eram bastante rápidos. O suficiente para algumas pessoas ficarem nauseadas (estimava-se que havia uma percentagem significativa - uns 10%, se bem me lembro - de jogadores que não conseguiam tolerar os movimentos desses primeiros FPS).


Um soldado básico...

...e algum tesouro e munições

Pelos padrões de agora, o jogo está totalmente obsoleto. Os personagens e os elementos de cenário eram a 2D (embora os inimigos tivessem múltiplos sprites que mudavam conforme o ângulo para dar a ilusão de 3D). Os níveis eram construídos com base em blocos cúbicos com texturas aplicadas, o chão e o tecto nem sequer tinham textura. Os sons digitalizados, bem, basta dizer que mesmo quem fala alemão não consegue perceber as exclamações dos soldados... As músicas eram em MIDI, mas eram boas - muitas delas ficavam no ouvido. O leque de armas era diminuto - uma faca, uma pistola, uma metralhadora e uma minigun. Os inimigos, pouco variados e quase sem IA de que se possa falar. E toda a acção consistia, basicamente, em percorrer o nível à procura das chaves que abriam as portas para aceder a outras partes do nível e encontrar a saída, matando tudo o que se mexesse. Enquanto isso, convinha apanhar tesouros (para dar pontos e ganhar vidas extra - sim, o jogo ainda tinha vidas! Mesmo podendo efectuar-se save e load em qualquer momento), munições e comida/estojos de primeiros socorros para repôr a saúde perdida. O último nível de cada episódio continha um boss que era preciso matar para terminar esse episódio. Ah, e havia sempre um nível secreto, acessível através de... sim, adivinharam. Passagens secretas. Activadas usando o comando "abrir" quando nos encostávamos às paredes certas. No final de cada nível (e episódio) éramos brindados com as percentagens de inimigos mortos, tesouro recolhido e passagens secretas encontradas. Um mimo.


Mais um exemplar da raça ariana, mesmo a pedir
para ser moído por uma rajada de metralhadora.

Pelo parágrafo anterior, o jogo parece ridículo. Mas não era. Era 1992 e o jogo era estupidamente divertido. Ao longo de 6 episódios, acompanhávamos as aventuras de William "B.J." Blazkowicz, desde a fuga do castelo Wolfenstein até ao seu showdown com o próprio Hitler. Sim, podíamos matar o Hitler num dos episódios - e ver a repetição em câmara lenta na "DeathCam (TM)". E, fiel ao espírito "Nazis com armas secretas fantásticas", noutro episódio tínhamos soldados mutantes mortos-vivos criados por um cientista louco. E mais tarde, a Lança do Destino, mas isso foi na sequela Spear of Destiny, que fica para outro dia...


AAAHH!!! Um zombie-mutante-Nazi!!! Mas que diabos...?

Este jogo, que foi tecnicamente revolucionário no seu lançamento, rapidamente deu origem a muitos "clones" ou "Wolf3D-like", alguns medíocres, outros mais elaborados, como Blake Stone, Corridor 7 e Rise of The Triad (este último nascido de um projecto abandonado de uma sequela do Wolf3D). E também inspirou as gerações seguintes, mais elaboradas, começando por outro produto dos mesmos criadores (id Software): Doom. A partir daí, foi sempre em escalada.

O jogo foi ainda controverso não só pela sua violência explícita (os próprios programadores incluíram um aviso no início do jogo - isto antes de serem implementados os actuais sistemas de classificação etária) como pelo uso de imagética Nazi.
O resultado foram versões e ports em que o sangue era substituído por suor (!) e em que todos os símbolos Nazis e retratos de Hitler eram substituídos por símbolos fictícios semelhantes.



É ele. O próprio Hitler. E vem equipado com uma armadura de combate.


Ainda é possível jogar Wolfenstein? Sim, se tivermos em conta 2 remakes (Return to Castle Wolfenstein e o mais recente Wolfenstein - sem "3D" no título), elaborados anos mais tarde e com o estilos de jogo dos FPS das respectivas eras. Ou jogar o Wolfenstein RPG, um jogo por turnos em primeira pessoa, uma criação mais recente para telemóveis, smartphones, tablets e afins.

Mas se quiserem a experiência original (não que as versões modernas sejam más, mas não são a mesma coisa...), há sempre os emuladores de MS-DOS...

sábado, 10 de novembro de 2012

Iron Sky

Nazis na Lua!

É com isso que começa esta curiosa produção conjunta Finlandesa-Alemã-Australiana. Durante uma aterragem no lado negro da Lua, destinada a promover a reeleição da Presidente dos Estados Unidos (uma sujeita suspeitamente parecida com Sarah Palin) e também a investigar secretamente a existência de depósitos de hélio-3 (um combustível extremamente valioso), os astronautas encontram, de facto os depósitos. Em contentores, numa base Nazi. Um dos astronautas é imediatamente abatido por soldados Nazis e o outro (um modelo negro que fizera a viagem apenas com fins de campanha eleitoral - "A Black Man On The Moon? Yes She Can!", é o slogan) é capturado.
E é levado para a base que um contingente Nazi estabeleceu na Lua em 1945, após fugirem da derrota iminente do 3º Reich. E sim, é verdade, a base tem a forma de uma suástica. O astronauta é levado numa mota com sidecar estilo anos 40 para a base, cujo interior e ocupantes parecem parados no tempo, com tecnologia algo sugestiva do estilo steampunk (ok, talvez World War II-punk). E Volkswagens carocha.

O astronauta descobre que os Nazis se preparam para voltar para a Terra e a governar, encontra uma Nazi boazinha, Renate, que não percebe bem no que está metida e que acredita que as intenções do regime são nobres (ela acorda para a realidade lá para o meio do filme) e é recrutado para ajudar a equipa de reconhecimento a preparar a invasão roubando smartphones na Terra. Isto porque descobrem que os smartphones são o elemento essencial para activar a sua máquina de destruição maciça, o Götterdämmerung (significa "O Crepúsculo dos Deuses", para quem estiver curioso). Pelo caminho, é "albinizado" pelo cientista residente, que tem semelhanças físicas com Albert Einstein que não são, de certeza, coincidência.

O astronauta revolta-se e foge, a Nazi boazinha acaba por descobrir a realidade do que querem fazer e o seu noivo (Adler, o comandante da equipa avançada) envolve-se com a agente publicitária da Presidente, Vivian, que o ajuda a preparar a invasão e a dar o golpe para se tornar o novo Führer.



Entretanto os Nazis lançam o seu ataque e Adler volta à Lua para activar o Götterdämmerung, mas a invasão é derrotada pelas naves das Nações Unidas - aparentemente, todas as nações (menos a Finlândia) tinham naves espaciais de guerra dissimuladas - lideradas pela nave americana, a George W. Bush, comandada por Vivian, despeitada pela rejeição de Adler. Isto antes de os países das NU começarem a lutar entre si pelos depósitos de hélio-3, levando ao fim do mundo...

O filme pode parecer algo disparatado, e nalgumas coisas até o é, mas tem os seus momentos altos. Para além de satirizar as posturas Norte-Americanas em múltiplos aspectos (sendo o meu favorito o momento em que a Presidente dos EUA começa a protestar com os outros líderes por terem concordado em não ter naves de guerra e lhe terem mentido, respondendo-lhe os outros que ela também mentiu, apenas para ela se defender com "É claro, nós somos Americanos, é isso que fazemos"), tem alguns toques humorísticos bem aplicados (para além do uso de Space Nazis, que eu já acho divertido por si só), como o fascínio dos Nazis por smartphones, o facto de a nave de ataque Russa ser a estação espacial Mir ("Paz" em Russo) e a armada Nazi usar dirigíveis espaciais para rebocar meteoros para uma meteorblitzkrieg. Ah, e o Führer lunar deposto por Adler é o actor Udo Kier, sempre adequado a papéis destes.

Um filme divertido para ver numa tarde de Domingo (que foi o que eu fiz).