Benvindos!


Bem-vindos!

Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

The Hellbound Heart

Conhecem a série de filmes Hellraiser? As histórias dos filmes (pelo menos oito, até à data) rodam em torno da descoberta e uso de uma caixa-puzzle cúbica que permite aceder a uma outra dimensão, habitada por um conjunto de seres - facilmente consideráveis como demónios -, os Cenobitas, encabeçados pelo emblemático Pinhead, antigos humanos distorcidos, cuja única razão de ser é, aparentemente, torturas pessoas em ambiente sadomasoquista.
Este livro, The Hellbound Heart, de Clive Barker, é a história que deu origem à série, tendo sido adaptado ao cinema, como o primeiro filme do conjunto, pelo próprio Barker.




O livro conta a história de um hedonista, Frank Cotton, que considerando já ter experimentado um pouco de todas as fontes possíveis de prazer,  incluindo as ilegais, procura a derradeira fonte de prazer. Encontra-a através da caixa de Lemarchand - uma caixa-puzzle através da qual terá, supostamente, acesso a outra dimensão, uma de prazer carnal sem limites.
Rapidamente, as coisas começam a correr mal para o nosso "herói", já que depara com os Cenobitas, que são governados por uma personagem descrita como "The Engineer" (aqui, o Pinhead é somente um figurante, só tendo ganho notoriedade nos filmes), que lhe prometem inúmeras experiências novas em termos de sensações. Efectivamente, cumprem, mas usando Frank para experiências em sadomasoquismo extremo. Frank fica aprisionado no reino deles, aparentemente para toda a eternidade.

Mais tarde, a família do irmão de Frank muda-se para a casa onde ele acedeu à dimensão dos Cenobitas.
O irmão, Rory, liberta Frank do aprisionamento após se cortar acidentalmente (servindo o seu sangue, derramado no local onde Frank invocara os Cenobitas, de catalisador à abertura de uma passagem entre as dimensões). Frank regressa ao nosso mundo, fisicamente destroçado, e é encontrado pela cunhada, Julia, com quem tivera um caso pouco tempo antes de esta casar com o seu irmão (e que continuava secretamente a desejá-lo).

Para o poder restaurar, esta começa a seduzir homens que sacrifica, a fim de recompor a forma física de Frank. Acabam por ser detidos por uma amiga do irmão de Frank, Kristy, que queria expôr Julia (Kristy, por sua vez, tinha uma paixão secreta por Rory...), e que após um confronto com Frank, e a morte de Julia às mãos deste, consegue que os Cenobitas recapturem Frank (dado que não estavam particularmente satisfeitos com a fuga deste).
Kristy torna-se a nova guardiã da caixa, vislumbrando, aparentemente, Frank e Julia na mesma.

Este livro é poderoso no uso de temas e imagens fortes e violentos, que Barker usa sem rodeios e sem piedade pelo leitor, especialmente no que toca aos Cenobitas, à sua dimensão infernal, às descrições tipo gore e, particularmente à dualidade prazer/dor, cujas fronteiras se esbatem de modo a tentar criar desconforto no leitor, também pela sexualidade inerente. Consegue ter mais impacto numa extensão de texto relativamente curta (trata-se de uma novela) do que alguns autores conseguem transmitir em séries inteiras.
Na versão cinematográfica desta obra é feita a pergunta "What's your pleasure, sir?". Tenham cuidado a colocar esta questão a vós próprios. Nunca se sabe quando a resposta não acaba por levar-vos a um Cenobita...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

The Redeemer

Klovis, the Redeemer.

Este é o protagonista da graphic novel "The Redeemer", compilação do material originalmente publicado na revista Warhammer Monthly.
Este personagem ímpar, um Redemptor priest munido do seu arsenal e acompanhado por Deacon Malakev e outros zelotas, move uma cruzada contra os inimigos do sagrado Imperador no mundo decadente de Necromunda - perseguindo mutantes, hereges e todos aqueles desviantes que merecem ser punidos, quanto mais não seja, por existirem. Se possível, oferecendo-lhes a hipótese de dolorosa redenção.



Passando-se no universo sombrio da linha Warhammer 40000, é uma obra escrita com um humor negro muito adequado ao ambiente, com arte a preto e branco a condizer com o tom da história.
O fanatismo dos personagens, patente nas acções e no discurso, é bem complementado pela parafernália do protagonista: o capacete flamejante, conotado com a purificação (e usado como arma de último recurso); a Sword of Persecution (uma chainsword do tipo eviscerator); o Liber Excrutiatus, onde são descritos todos os tipos de tortura necessários para lidar com os desviantes (habitualmente carregado pelo diminuto Malakev) e, finalmente, o Pulpitek, um carro blindado armado com canhões e com um design remanescente de uma catedral.
Uma óptima leitura para quem gosta de humor negro e de anti-heróis. Mais ainda se apreciar o universo brutal de Warhammer 40K.

Algumas citações de Klovis:

"I am the most merciful of men."

"It's cleansing time."

"I am aflame with zeal for the faith."

"Scourge and purge!"

...e, claro,

"If it doesn't hurt, it doesn't count."

1984

Aviso para os incautos: 1984, de George Orwell, não é um livro para ler de ânimo leve. Nem quando se está com o espírito em baixo. Não.

É um livro sobre horror e opressão. Sobre a perda das liberdades básicas dos indivíduos, sobre a manipulação das massas pelos governos e obediência cega. É um livro sobre a cultura do medo, da indiferença, da falta de esperança. Sobre filhos educados para trair e denunciar os pais por crimes que não chegam a acontecer, sobre distorção do passado, do presente e do futuro. Sobre o Grande Irmão e o Partido, sempre vigilantes, sempre a controlar o povo com rédea curta e mão de ferro. Sobre o definhar da linguagem e, por arrasto, do pensamento. Sobre guerras eternas, contra inimigos que, provavelmente, não existem. Sobre tortura e a anulação completa do ser humano, pelo próprio ser humano.



É um livro sobre tudo isso. É uma obra de ficção. Mas poderia ser real. Qualquer semelhança entre a realidade do livro e a nossa realidade não é uma coincidência, é, sim, motivo para ter medo. Muito medo.

1984, de George Orwell, não é um livro para ler de ânimo leve. Mas devia ser um livro de leitura obrigatória para todos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Robocop

Robocop, de Paul Verhoeven, de 1987, é um filme de ficção científica de acção sobre um agente da polícia assassinado que é convertido num ciborgue e se torna uma arma fundamental no combate ao crime numa Detroit futurista decadente.

Ok, dito assim, o filme não parece nada de especial, mas na realidade tem bastante que se lhe diga (ou não estaria para aqui a falar dele) .

Trata-se de uma obra bastante violenta, com alguns momentos particularmente brutais - são bons exemplos disso a cena em que um robô ED-209 avaria durante a sua apresentação e metralha um executivo da empresa até o retalhar e a cena da execução de Alex Murphy (o futuro ciborgue) às mãos de uma gangue de criminosos - mas ultrapassando essa primeira impressão, apercebemo-nos de que é um filme com múltiplas camadas (usando a analogia do Shrek, é uma "cebola") o que o torna bastante interessante.
Aviso: se o vosso interesse é só a acção violenta, se calhar podem parar de ler aqui. O filme tem acção e violência de sobra. Se o encontrarem, divirtam-se! Se não, continuem a aturar-me mais um pouco enquanto filosofo um bocadinho.



Então, para além da já mencionada violência, que dá o tom ao filme que se adequa ao contexto de uma cidade em crise, com a própria polícia em falência, e à qual Verhoeven dá rédea solta, podemos encontrar alguns temas mais ou menos presentes ao longo da metragem:

Desumanização. Resulta da violência, da crise subjacente à história criada pela maquinação da empresa "protagonista", a qual tem um nome consumista adequadamente vago (Omni Consumer Products, ou OCP para os amigos) que contribuem para um ambiente opressivo e desesperante (parece familiar?). É representada pelo ED-209, um autómato que visa substituir as forças policiais humanas e pela própria conversão do protagonista numa máquina, sobre o qual se diz que "é um produto da empresa".

Re-humanização. Em oposição ao ponto anterior, é representada pela reconquista de Murphy das suas características que o tornam, bem... Murphy. Após a sua conversão em ciborgue, o seu comportamento vai-se alterando de máquina fria e eficiente até voltar a ser a pessoa que era antes (tanto quanto possível, obviamente, dado que basicamente só possuía a face, parte da cabeça e alguns dos órgãos originais). Isso torna-se mais evidente na cena final do filme, em que quando lhe perguntam o nome, ele responde laconicamente "Murphy".

Um tema curioso, sobre o qual li algumas coisas há uns tempos atrás (infelizmente não me lembro onde): estes dois processos, conversão a máquina e reconquista da humanidade são descritos como alusões cristãs de Verhoeven (que além de se dedicar ao cinema, é um estudioso da vida de Cristo, a modos que um historiador sobre o mesmo). A execução de Murphy é comparada à crucificação e a sua conversão e reactivação como homem-máquina, à Ressureição. Há ainda uma cena alusiva à temática cristã, que normalmente passa despercebida: perto do fim do filme, Murphy está a caminhar numa superfície alagada, dando a ilusão que caminha sobre a água...

Observam-se ainda outras alusões à época (anos 80) - o consumismo e cultura yuppie, retratado pela OCP e os seus executivos; os resquícios de uma Guerra Fria que se aproximava do fim, ilustrado pela notícia referente às plataformas do programa "Guerra das Estrelas".

O filme, nalguns aspectos, envelheceu um bocadinho pior; numa visualização actual é impossível não achar piada ao "look 80" de algumas personagens e a animação stop-motion do ED-209 tem um aspecto datado (embora não o torne menos ameaçador).
Ah, e a cena em que o Emil entra com a carrinha pelo lixo tóxico dentro e sai de lá a derreter... he,he!

A tríade Peter Weller/Kurtwood Smith/Ronny Cox desempenha os seus papéis de forma impecável e temos, na minha opinião, outro ponto que merece menção - a música. Desde melodias pungentes (tais como quando Murphy começa a recuperar a memória e perceber o que perdeu e no que se tornou), a momentos  mais mecânicos perfeitamente em sintonia com o tema Polícia-máquina.

O filme gerou 2 sequelas.
O Robocop 2 é um filme interessante, embora mais orientado para a acção e em que os aspectos mais filosóficos que citei estão bastante aguados ou inexistentes, não deixando de ter os seus pontos altos.
O Robocop 3... bem... O Robocop torna-se ama-seca de uma miúda, enfrenta robôs japoneses ninja e derrota os motins anti-polícia com um jetpack às costas. Como diria um certo Diácono, "não havia necessidade".

E agora, parece que está um remake na forja. Tenho medo.

Este post já vai longo, mas é de facto um dos meus filmes favoritos do género e falar dele entusiasma-me. (Perdi a conta às vezes que o vi).

Só para terminar, algumas frases giras:

ROBOCOP: "Dead or alive, you are coming with me."

ANNE LEWIS: "Murphy. It's you!"

ROBOCOP: "Your move, creep."

ED-209 (antes de avariar durante a demonstração): "Please put down your weapon. You have 20 seconds to comply"

ROBOCOP (para CLARENCE): "I'm not arresting you anymore."

LEWIS: "Murphy, I'm a mess."
ROBOCOP: "They'll fix you. They fix anything."

OLD MAN: "Nice shooting, son. What's your name?"
ROBOCOP: "Murphy."

domingo, 4 de novembro de 2012

Marvel Zombies - The Covers

De há alguns anos a esta parte, a Marvel Comics tem vindo a publicar várias mini-séries sobre uma Terra alternativa em que uma infecção zombieficadora (nem sei se isto se diz assim) transformou a população do planeta, super-heróis e super-vilões incluídos, em zombies. A partir daí, começou a sua jornada para se propagarem a outros mundos, ao resto do universo e a outros universos.
Inicialmente escritas por Robert Kirkman (o autor de The Walking Dead), após uma primeira aparição dos Zombies Marvel nas páginas de Ultimate Fantastic Four, as histórias continuaram a progredir, passando por um crossover com a série "Evil Dead/Army of Darkness" e a participação do impagável Ash Williams (que aparentemente, tem o à-vontade de cumprimentar o Dr. Doom com um "Domo arigato, Mr. Roboto") até à instalação na Terra do universo Marvel original (numa fase que, honestamente, acho muito menos interessante que o material original de Kirkman).


Este volume compila as capas das publicações iniciais em formato comic, e que são homenagens de Arthur Suydam a capas de publicações Marvel mais antigas (as quais são reproduzidas para comparação acompanhadas de um pequeno texto explicativo), para além de capas variantes ("Zombie variants") de outras publicações e de capas da antiga revista Tales of The Zombie.
Material interessante para amantes de arte... zombie.

Magic The Gathering - Tapestries

Este livro é uma colectânea de contos baseada no jogo de cartas coleccionáveis Magic The Gathering.
Remonta a 1995, altura em que o jogo ainda estava nos seus primórdios, e como tal, o universo (ou melhor, multiverso) do jogo ainda se encontrava pouco definido, o que leva a que as histórias ainda sejam, de certa forma, "livres" dos cânones que foram sendo posteriormente criados e que faz com que se assemelhe mais a uma colecção de contos de fantasia em geral, dada a ligação superficial que algumas histórias apresentam ao jogo de cartas (ou melhor, ao que o jogo era nessa época).




Atendendo a toda a evolução que o jogo tem tido ao longo dos seus quase 20 anos e à criação do multiverso complexo actual (o qual, confesso, me tem passado ao lado, dado que já abandonei o jogo há muitos anos), é possível que muitos dos apreciadores do mesmo achem o livro estranho ou inconsistente com o jogo actual.

O tom das histórias varia bastante, desde histórias em tom ligeiro como "Airborne All The Way" até material mais trágico, como "The Theft of Bayende, Heart and Soul".

Constitui, independentemente do conhecimento que se tenha do jogo, uma leitura interessante e com variedade de estilos.

Masters of The Universe - o filme

Algumas pessoas, que como eu, foram as "crianças dos anos 80" (ou children of the eighties, se acharem que soa melhor), devem lembrar-se duma linha de brinquedos bastante popular nessa década, imediatamente associada a uma série de animação para TV, criada essencialmente para promover esses brinquedos (apesar de ter muito mais substância que muito do que se produz hoje em dia, mas isso é outra história).
Tratava-se, então, do He-Man e os Masters of The Universe, e a série retratava as aventuras do Príncipe Adam de Eternia, que em momentos de crise, se transformava magicamente, sacando da sua espada, no herói He-Man. Curiosamente, tinham a mesma cara, o mesmo corte de cabelo e a mesma voz (também, só havia 4 ou 5 actores a fazer as vozes dos personagens), embora o He-Man estivesse sempre bronzeado e falasse um bocado mais grosso. Provavelmente o pior disfarce de identidade secreta de sempre.
Para resumir, o He-Man e os outros heróis todas as semanas enfrentavam e derrotavam de modo exemplar, mantendo a violência no nível mínimo, uma ameaça para o reino, habitualmente na figura de Skeletor (o vilão da série) e dos seus comparsas. Estes eram retratados mais como um bando de... bem, de bandidos trapalhões, a fugir para o cómico, do que como ameaças sérias. Para bem ou para mal, era a política da produtora.

Como é natural, acabaram por fazer um filme de acção em imagem real baseado na série.

O filme pode ser considerado, pelos padrões de hoje, uma produção muito "série B", tratando-se duma produção com bastantes limites orçamentais; no entanto, tem uma série de aspectos interessantes e que o demarcam do material de origem.

Para começar, todo o tom do filme é muito mais sombrio. A história começa, precisamente, após Skeletor finalmente conquistar o Castelo de Grayskull, algo que tentava frequentemente ao longo da série de TV. Skeletor é apresentado, aqui, como um vilão a sério - move uma perseguição implacável aos heróis do filme, transformados numa espécie de fora-da-lei (dado que Skeletor passou a ser a lei - Judge Dredd, rói-te inveja), não tem qualquer problema em aprisionar a Feiticeira do Castelo (e absorver de modo lento a sua energia) nem em executar os seus seguidores quando estes falham, só para servirem de exemplo. Além disso, nesta versão, comanda exércitos a sério (e não um monte de robôs voadores extremamente quebráveis) e tem uma voz ameaçadora, em vez da voz nasalada da versão da TV. A propósito disso, nunca entendi como é que alguém com um buraco no sítio do nariz falava assim.
Aqui, os elementos de fantasia estão bastante mais diluídos, focando-se o filme mais nos aspectos de ficção científica. Um dos aspectos em que isso se verifica é numa ausência notória de Príncipe Adam, existindo apenas He-Man a tempo inteiro. Ok, era basicamente o Dolph Lundgren em cuecas e de cabeleira comprida, mas eram os anos 80.
E o He-Man usava armas a sério, não se limitava a andar de espada. Também os personagens Man-At-Arms e Teela eram retratados como guerreiros mais sérios.
O resto, enfim, era aventura à moda da época. Fogem para a Terra, o que permite poupar em cenários, encontram os nativos - uma das protagonistas da série "Friends" e o navegador da "Voyager" do Star Trek, não esquecendo o reitor da escola do "Regresso ao Futuro" (ok, não os personagens, mas os actores), enfrentam o vilão na Terra, voltam para Eternia e derrotam o vilão por lá. Mas não de forma permanente, para permitir filmar uma sequela que nunca chegou a ser feita.

Gostaria de ver um filme mais sério sobre os personagens, dado que considero tratar-se de um universo com imenso potencial, no que toca a mistura entre fantasia e FC. Depois das tentativas de retoma sem grande sucesso há alguns anos, parecia que o franchise morreu de vez; recentemente, contudo, a DC Comics recomeçou a lançar material da série, por isso ainda pode haver esperança...

Até lá, ficam o poster do filme e o link do IMDB.