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Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


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sábado, 31 de outubro de 2015

Halloween e literatura - dois apontamentos avulsos

Sendo hoje o dia que é, parecia-me mal não falar um pouco de Halloween.

Atendendo a que, nos últimos anos, o Halloween americano tem vindo a infiltrar-se insidiosamente na nossa cultura, mais por motivos comerciais do que por outra razão (algo que já mencionei mais detalhadamente num post há um ano atrás), resolvi recentemente ler um livrito que encontrei numa daquelas feiras-do-livro-outlet há dois ou três anos (e que me custou um euro e meio) com um estudo sobre as origens da data, da autoria de Paolo Gulisano e Brid O'Neill, chamado A Noite das Bruxas - História da Festa de Halloween.

E revelou-se um estudo muito interessante.

Não vou repetir aqui o texto do livro, mas analisa toda a evolução do festejo, desde as suas origens pagãs europeias como festival do fim de outono/início de inverno, a sua cristianização (ou melhor, a sua assimilação numa altura em que o cristianismo tentava incorporar os aspectos mais importantes das religiões prévias em vez de as censurar ou diabolizar) e o seu significado antigo, mais próximo da homenagem e comunhão com os espíritos dos falecidos do que com o terror, bruxas e demónios (tradição que resulta da fusão com a noite de Stª Valpurga, ou Walpurgis Nacht). A propósito disso, fala ainda de uma associação com o dia dos trabalhadores, o 1º de Maio. A sério, fala mesmo. Mas deixo isso para quem quiser dar-se ao trabalho de procurar e ler o volume.
Finalmente, fala do que aconteceu quando o Halloween foi exportado da Europa com os imigrantes que foram para os EUA.
Americanizaram tudo. Inicialmente ainda eram um pouco tradicionalistas da versão "Noite das Bruxas" (o que é reflectido no livro de que falei no post há um ano), já nem tanto da versão original da homenagem aos defuntos. Actualmente é mais uma oportunidade de vender slutty costumes, doces e enfeites. E, aparentemente, na Europa, caminhamos no mesmo trilho. Enfim...




O outro produto de Halloween que consumi recentemente, e uso esses termos deliberadamente, foi uma BD dos Caça-Fantasmas, um holiday special da IDW intitulado "What In Samhain Just Happened?!".
É um one-shot temático, mas não se iludam - é uma história de fantasmas à la Ghostbusters. O que não significa que seja mau, mas é um pouco um exemplo de oportunismo comercial.
É giro, de qualquer modo. Sempre tem o humor típico da série, e a Janine a resolver um caso, assumindo um papel de Caça-Fantasmas. Curiosamente, o fato dela cobre substancialmente menos pele que os dos "genuínos" Caça-Fantasmas. Será má língua perguntar porque é que isso acontece? Só para mostrar um ponto de vista...
Pelo menos, tiveram o trabalho de usar algumas referências ao Samhaine, e até há uma personagem no início da história que leva um raspanete por querer organizar uma festa de Halloween relacionada com as raízes pagãs da festa, em vez do actual "Carnaval de Horror".

O que mostra que, se calhar, ainda há mais gente que sabe do que se trata o "All Hollows Eve" do que o que parece...


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Halloween - Vintage Holiday Graphics

Sendo dia 31 de Outubro, e numa época em que o Halloween começa a invadir, ainda que por motivos comerciais, o nosso país (ainda com uma presença muito discreta), resolvi fazer um pequeno post a comemorar a data.

Em boa verdade, há anos que o celebro (ou pseudo-celebro), habitualmente a ver filmes de terror. O facto de o dia 1 de Novembro ter deixado de ser feriado atrapalhou um bocado, mas, pelo menos, este ano calha a um fim-de-semana.

Ainda estou à espera de ver putos a andar de porta em porta a pedir doces, e de encontrar lanternas feitas de abóbora nas portas das casas. Quando isso acontecer, talvez até me mascare. Ou não.

Em todo o caso, com a comercialização progressiva do evento (algo de que outras festividades também têm sido vítimas), arrisco-me a dar de caras apenas máscaras mal paridas ou até fatiotas que nada têm a ver  - leia-se, máscaras de carnaval recicladas, especialmente versões "sexy" para as senhoras, que aparentemente não conseguirão comprar nada que tape mais de 20 a 30% da superfície corporal. Nada contra, e cada qual sabe de si, mas acho que desvirtua uma festa em que se celebram os mistérios e os terrores da noite das bruxas (e monstros afins). E não, não adianta argumentar que algumas das pessoas que andam descapotáveis metem medo precisamente por isso.

Agora que já fiz a piada óbvia, vou aproveitar para fazer um bocadito de propaganda a um livro.

Nem me vou perder em considerações sobre a origem do Halloween, isso dava texto para vários posts, se bem explorado. 

Halloween - Vintage Holiday Graphics é uma obra da colecção "Icons" da Taschen, e que compila imagens relacionadas com o Halloween mais tradicional, de outras décadas. Sendo certo que inclui imagens de máscaras e outros elementos com temas que não são de terror (piratas, por exemplo), essencialmente é uma colecção de Bruxas, Jack O'Lanterns, Demónios, Gatos Pretos, Fantasmas e outros ícones mais tradicionalmente associados à bruxaria.

Sendo certo que o Halloween, como tudo, evolui com a sociedade que o celebra, é sempre giro fazer uma nostalgia trip por outros tempos, o que conseguimos com a iconografia desse livro. Não é de forma nenhuma um tratado sobre o tema, longe disso, mas é um bom aperitivo para outras explorações. E para a noite das bruxas propriamente dita.

É algo para folhear à noite, a ver se atrai batidas à porta...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Spear of Destiny

O ecrã de abertura, adequadamente ominoso...

Depois de já ter aqui falado do Wolfenstein 3D, da sua versão de Natal, e de uma série de FPS com algum tipo de relação com o Wolf 3D, parece-me lógico relembrar o Spear of Destiny.

Apesar de ter sido lançado depois do clássico Wolf 3D, o Spear of Destiny (ou SoD, como também ficou conhecido) não era uma sequela (afinal, o herói, Blazkowicz, já eliminara por si só praticamente todo o alto comando alemão e Nazi, Hitler incluído), mas sim uma prequela.

Dito isto, então, de que trata o jogo?

A mesma coisa que o seu antecessor - matar Nazis e frustrar os planos do 3º Reich. Tematicamente, a grande diferença é que estamos incumbidos de roubar a lendária Lança do Destino (que dá o título ao jogo), um artefacto místico que, reza a lenda, torna o seu possuidor invencível. Ou seja, neste jogo passamos um bocado da temática predominante de mad science do jogo original (que rodava muito em torno de uso de mutantes, armas secretas, etc.) para a temática do misticismo, através da figura da Lança (o que de resto vai ao encontro do tema recorrente do emprego pelos Nazis de artefactos mágicos e afins, presente na cultura popular e usado em livros, filmes, etc. Lembram-se do Indiana Jones?).

Assim, temos que atravessar 18 níveis de tiroteio na sua encarnação de FPS primordial até chegarmos ao nível final... SoD não está dividido em episódios, como o seu irmão mais velho; é, sim, um episódio único mais longo, com vários bosses disseminados, e um inimigo final muito peculiar - um Anjo da Morte, cuja derrota é essencial para nos apoderarmos da lança. 

A Lança do Destino. O nosso Santo Graal neste jogo. Não espera, o Santo
Graal aparece noutras histórias...

É um "boss-surpresa", por assim dizer; após derrotarmos o que parece ser o inimigo final (um Death Knight Nazi) e apanharmos a famigerada Lança, somos transportados para o que parece ser outro mundo (o 19º nível do jogo, na verdade), onde enfrentamos o dito Anjo; só depois de ele cair por terra é que temos direito ao troféu. 

Pelo caminho, podemos ainda descobrir dois níveis secretos.

De certa forma, este esquema foi repetido na sequência Doom e Doom 2; o segundo também é um único episódio, com níveis novos e alguns acrescentos, mas usando basicamente o mesmo motor gráfico e sem revolucionar muito o original. Na realidade, o Doom 2 até acrescentou mais novidades; o SoD nem acrescentava armas novas. Tinha níveis novos, uma caixa de munições maior, os bosses e uns fantasmas que acompanhavam o Anjo da Morte; se a memória não me falha tinha algumas músicas e texturas novas, mas a coisa ficava por aí. Tenho ideia que o som seria mais nítido, mas confesso que não me lembro bem o suficiente (já sei, já sei, era uma razão para revisitar o jogo).

Um fantasma. Uma novidade neste jogo.

Uma novidade interessante era a sequência semi-animada no fim e as imagens que passavam nos créditos -  completamente datadas hoje em dia, mas na altura fazia sentirmo-nos recompensados...

Os 5 mauzões da fita. Curiosamente, um deles é o irmão de dois
dos bosses no Wolf3D (os irmãos Grosse) e o Übermutant é a versão XXL dos mutantes
que aparecem no 2º episódio do jogo original (e um bocado espalhados no SoD)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Troll Hunter - O Caçador de Trolls

De origem norueguesa, este é um filme bastante curioso.

Filmado sempre do ponto de vista de uma câmara portátil, de modo a simular uma espécie de documentário, mais concretamente, uma reportagem para um projecto de um grupo de jovens aspirantes a jornalistas, não pode deixar de ser comparado a outro título realizado nos mesmos moldes, o Blair Witch Project.

Contudo, as semelhanças não vão muito para além do formato. Esta obra, (Trolljegeren no original), embora conte com os seus momentos mais pesados, é muito menos sombria, tendo mais de filme de aventura fantástica do que propriamente de horror. E um outro toque de humor.

Usando como pano de fundo os Trolls, talvez os seres mais emblemáticos da mitologia escandinava (se estavam à espera de algo sobre a malta que gosta de importunar os outros, especialmente no uso da internet, podem ir embora agora), mostra então as aventuras do referido grupo, que resolve fazer uma reportagem sobre o aparecimento em barda de animais mortos misteriosamente em locais mais selvagens na Noruega.

Começando com uma série de entrevistas a indivíduos que acreditam tratar-se de caçadores furtivos e que querem levar os supostos criminosos à justiça, rapidamente passam a focar um indivíduo misterioso, com ar de caçador (furtivo, se quisermos) que aparece sistematicamente num jipe bastante danificado, aparentemente por animais selvagens de grande porte e que rejeita todas as tentativas de contacto com os jovens. Naturalmente, só lhes desperta mais interesse e eles começam a segui-lo (mais ou menos) discretamente.

Uma bela noite, descobrem o que o homem anda a fazer - caçar Trolls, o que descobrem da pior maneira, já que dão de caras - ênfase no plural - com um belo exemplar com três cabeças (que mais tarde descobrimos que apenas tem uma a funcionar, as outras são para exibição).
O caçador tem sucesso em deter o bicho - atraindo-o até ao jipe, altura em que o bombardeia com holofotes ultravioleta e o monstro se transforma instantaneamente em pedra (característica típica dos Trolls nas histórias norueguesas). A partir daí, nada que picaretas, um martelo pneumático e alguns explosivos não resolvam.

Sucede que o caçador, na realidade um agente governamental, anda a tentar perceber porque é que os Trolls andam descontrolados a atacar a fauna local, estando incumbido de conter a situação. Pelo caminho, aparece uma veterinária que adianta a hipótese de se tratar de uma forma de raiva; a mesma explica ainda que a exposição dos Trolls à luz solar causa calcificação instantânea por uma espécie de hipermetabolismo da vitamina D, que resulta em petrificação... ou em explosão (para mim trata-se de pseudociência perfeitamente escusada e um momento menos feliz do filme, e teria ficado satisfeito apenas sabendo que os Trolls viram pedra à luz do dia porque sim, afinal são criaturas mitológicas...).

A partir daí temos alguns encontros interessantes: um Troll maneta que vive (apropriadamente) sob uma ponte e a quem o caçador tenta colher sangue (levando um enxerto à moda antiga, apesar de ir com uma armadura quase medieval), uma gruta de Reis da Montanha, onde o cameraman original encontra o seu fim (era baptizado, e os Trolls cheiravam o sangue cristão...), motivando uma substituição por uma operadora nova e, finalmente, a sequência final.

Essa sequência é um dos pontos altos do filme. Assim como o Troll em questão, tão grande que o jipe tem que andar a desviar-se dos seus pés. E como a filmagem é do ponto de vista do observador... bem, dá para ter a ideia. Além de que os urros de dor (o Troll estava doente) na paisagem deserta gelada são verdadeiramente melancólicos, causando uma sensação de desolação ao conduzir à morte da criatura, ao sucumbir finalmente a um rocket de ultravioletas (seja isso o que for...), finalmente petrificando e desabando com o próprio peso.

O final do filme, após a morte do último Troll, é um bocado confuso, dando no entanto a entender que os personagens foram capturados pelas autoridades e "levaram sumiço".

Numa nota final engraçada, temos a admissão acidental numa entrevista por parte de membros do governo de que os Trolls existem e estão a dar problemas.

Uma abordagem original à mitologia nórdica, com uma boa produção (os Trolls parecem mesmo saídos das ilustrações tradicionais) e à qual vale a pena, definitavamente, dar uma olhada. O único sinal de preocupação - consta que Hollywood tem um remake na calha. Provavelmente com Trolls na Califórnia ou uma parvoíce do estilo... Prefiro nem pensar.