Benvindos!


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Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Popular Skullture

Tendo em conta o momento de Halloween, fica um apontamento breve sobre um dos símbolos da época, que são as caveiras; mais concretamente, falando num livrinho em que elas são as protagonistas: Popular Skullture, de Monte Beauchamp, editado pela Dark Horse.

O autor fala um pouco sobre o simbolismo da caveira - as suas conotações com a morte, por exemplo (embora não) só, e o poder da mesma na cultura popular (daí o trocadilho no título). Como o próprio diz, é um símbolo eficiente, que evoca assuntos sérios, embora possa ser utilizado também em contexto humorístico e de forma mais ligeira. 

Convém, contudo, não aligeirar a coisa demasiado - ele alerta-nos para a inadequação de usar este símbolo, por exemplo, para convites para eventos do género baptizado ou casamentos, ou anúncios de nascimento.

Ok, e agora digo eu: até seria giro ir a um casamento com motivos de esqueleto. Pelo menos para mim, seria uma mudança bem vinda.

Mas voltando ao livro, após a introdução, que até é interessante (também se foca, noutra parte, na cultura pulp da primeira metade do século XX, dos anos 30 aos anos 50, na origem da banda desenhada, interligada a essa cultura e ao advento dos mass market paperbacks). Isto tudo para explicar o meio onde outrora proliferaram os esqueléticos sorrisos. 
Também explica o declínio desse uso, essencialmente devido à cruzada anti-BD iniciada por Fredric Wertham, com o lançamento do seu The Seduction of the Innocent, e que levou ao "corte de pernas" dos comics, durante anos, e as suas repercussões nos meios "irmãos".

Depois desse bocado de história, entramos na parte mesmo boa: um mostruário de mais de uma centena e meia de capas dessas publicações. 

Um desfile de arte com o motivo da caveira, em livros, revistas e BD de terror, policiais e mesmo de histórias de espionagem e guerra. Arte para todos os gostos, caveiras estilizadas, bem desenhadas, mal desenhadas, em primeiro plano ou embutidas subtilmente na composição, muitas vezes com o resto do esqueleto acompanhante.

Mas sempre, sempre, pelo menos uma caveira (nem sempre evidente, como já disse).

É um livro que se atravessa num instante, mas que deixa uma impressão nostálgica. E até ensina umas coisitas. O que aprendi com este livro:

1) Os ilustradores daquela época tinham ou pouco jeito ou referências péssimas para desenhar crânios e esqueletos (suponho que teria dado jeito o Google para irem buscar umas imagens de referência);
2) Muitos achavam giro deixar uns dentes a menos (a sério, tantos deles) ou então desenhar os dentes como se fossem uma serrilha;
3) Por alguma razão, aranhas gigantes com uma caveira a servir de cabeça parecia-lhes uma boa ideia. Estou a lembrar-me de pelo menos três;
4) Alguns deles até tinham jeito para a coisa.

Assim, arte boa ou má (e temos os dois extremos), temos mais um mostruário de macabro, que nos remete para outros tempos. Uma sugestão para uns momentos engraçados...


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

The Mad Scientist Hall of Fame

Ah... Mad Science. Em português, fica mal: "Ciência Louca". Por outro lado, os seus praticantes, os Cientistas Loucos, são um arquétipo muito usado em filmes da série B (e por aí abaixo) e produções análogas.

Quem não conhece um cientista louco? Se não na vida real, pelo menos no cinema? A figura deve as suas raízes, em parte, a um cientista que não enquadra completamente na definição - a versão cinematográfica do Dr. Frankenstein no filme da Universal no início dos anos 30, com o seu intemporal "It's alive", quando anima a criatura usando um aparato científico (ou pseudocientífico, vá), que também é imagem de marca do Cientista Louco estereotipado; já a versão literária era mais sóbria, embora lançasse a semente do conceito.

Claro, as raízes e definições do que é um "Cientista Louco" são mais complexas, dariam mesmo para um post muito mais comprido do que aquele que eu, preguiçoso como ando, estou disposto a escrever hoje.

De resto, também não é esse o objectivo. A ideia não é analisar o conceito de Cientista Louco (deve haver toneladas de material sobre isso na net, sugiro o artigo da Wikipédia como ponto de partida). É homenageá-lo.

E como sou, reitero, preguiçoso, vou falar de uma homenagem já feita.

O livro de Daniel H. Wilson (sim, o roboticista que escreveu o Robopocalypse e outros textos bastante interessantes dos quais talvez eu ainda venha a falar) e Anna C. Long, The Mad Scientist Hall of Fame.

É um livrinho de divulgação, que já li há uns anos (e provavelmente devia reler) focado na figura do Cientista Louco, quer em versões clássicas quer em versões menos evidentes. Analisa vários Cientistas Loucos fictícios e faz paralelo com contrapartes do mundo real, e é aí que se torna mais interessante. Além das suas histórias e façanhas (famosas e infames, não há discriminação), os personagens ainda são analisados do ponto de vista psicológico.

Assim, a par do obrigatório Victor Frankenstein (um grande depressivo com tendência à psicose), temos o Capitão Nemo (vítima de stress pós-traumático), Dr. Moreau (narcisista e com delírios de grandeza), Lex Luthor (Narcisista e com episódios de mania) e Henry Jekyll (caso extremo de personalidade dissociativa e abusador de substâncias), devidamente explicados ao público.

Também constam personagens mais benignas, como o Professor Tournesol do Tintin (aqui chamado pelo nome em inglês, "Professor Calculus", e que aprendemos que tinha défice de atenção) ou o Professor Farnsworth (do Futurama), cujo nome deriva de um "Mad Scientist" da vida real, Philo Farnsworth (que também tem um capítulo próprio).

Podia mencionar todos os Cientistas Loucos da vida real, mas deixo para quem quiser ler o livro (senão isto fica a parecer uma versão apontamentos Europa-América).

Gostei de conhecer o anti-social Trofim Lysenko, uma figura do tempo da Guerra Fria, e cujo maior papel, devido à sua incompetência em geral em produzir ciência a sério, foi boicotar a produção da mesma por cientistas a sério (este tipo não seria tão louco e sim um perigo de outra maneira - se se tivesse esforçado tanto a desenvolver ciência como se esforçou para eliminar outros cientistas, talvez a Guerra Fria tivesse corrido pior para o ocidente).

Também gostei de ficar a conhecer um pouco mais Sidney Gottlieb, que inspiraria tanto vilão cinematográfico com o seu projecto de controlo mental, MK-Ultra, e que era, a meu ver, um vilão de pleno direito.

Achei interessante a introdução do Nikola Tesla, que fiquei a saber que tinha delírios sobre contactos de extra-terrestres, bem como a de Marie Curie, que aparentemente era uma grande depressiva (mas não tanto louca - bem, talvez o fosse pelos padrões de hoje, por se expôr a radiação nas doses em que o fazia, mas é muito fácil criticar que sabia pouco e deu os primeiros passos para estudar alguma coisas quando se tem décadas ou séculos de informação acumulada, não é?).

E claro, também foi interessante conhecer o já mencionado Philo Farnsworth, um provável maníaco que impulsionou a implementação da televisão, sendo possívelmente, do rol de nomes do livro, o que maior impacto teve a nível mundial.

Uma leitura definitivamente a fazer, seja por amor à Mad Science seja só para aprender algumas coisas.

A capa, cujos efeitos de cor não é possível reproduzir aqui,
apresenta um típo Mad Scientist: bata, luvas negras, goggles
e gargalhada insana.



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Imperial Handbook - A Commander's Guide



Na senda de outros livros deste autor, que já antes abordei, como o The Jedi Path ou o Book Of Sith, este Imperial Handbook é mais um manual/livro de referência (o quarto da série) no universo Star Wars (mais especificamente, no antigo expanded universe, agora rotulado de "Legends").

À semelhança dos outros já referidos "manuais", este volume simula um manual distribuído aos oficiais do Império Galáctico, algum tempo antes do episódio IV, e supostamente foi encontrado após os eventos do episódio VI, e devidamente anotado por várias personalidades da Rebelião/Nova República, como Han Solo, Leia Organa, Wedge Antilles ou o renegado Crix Madine.
E os capítulos são escritos por nomes "sonantes" do império, tais como Wullf Yularen, o Almirante Motti, o General Tagge ou o próprio Tarkin. Para além das notas introdutórias e finais do próprio imperador.

Está recheado de informação interessante (e alguma menos interessante, como a divisão dos exércitos e frotas) relativa ao poderio militar imperial, dividida em várias secções - armada (navy), exército (army) e corpo de Stormtroopers. Para além disso tem ainda capítulos referentes à política imperial e à "doutrina Tarkin".

Os capítulos sobre as forças armadas são interessantes, se devidamente situados no universo "Legends", e têm alguns pedaços que apelam mesmo à "nerdice" (por exemplo, os projectos de Super Star Destroyers, que aparecem pela primeira vez em O Império Contra-Ataca, e que são referidos como estando em desenvolvimento à data de emissão do manual, ou as considerações de Rom Mohc sobre a glória do combate em campo de batalha, remetendo para o seu projecto "Dark Trooper", que era o ponto fulcral do primeiro Dark Forces).

Mas para mim, onde o livro brilha mais é mesmo é nos capítulos inicial e final, sobre as políticas imperiais.
São verdadeiros "tesourinhos fascistas", com arte a condizer, e pretendem justificar todas as atrocidades imperiais como necessidades para manter a lei, a ordem e a paz, através de discurso xenófobo e militarista. "Pintam", de modo geral, todos os não-humanos como criaturas retrógradas e selvagens, que deixadas entregues a si próprias, só trazem caos e desordem. Já para não mencionar os "malefícios" da democracia, que só serve para não conseguir fazer nada, certo? Já para não mencionar os piores vilões de todos: os Rebeldes!
Mas, ao mesmo tempo, mostram a rigidez mental e o excesso de auto-confiança da organização imperial, que se revelariam a causa da queda do mesmo.

Wallace repete a sua fórmula habitual, que já não surpreende mas que, neste volume, consegue um resultado mais interessante que no volume anterior, The Bounty Hunter Code.

Uma adição interessante à série, e à bibliografia Star Wars em geral.




segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Diablo - Book of Cain e Book of Tyrael



Nos dias que correm, a maioria dos franchises de sucesso explora vários meios para, por assim dizer, fazer render o peixe, oferecendo, para além dos produtos principais, vários tie-ins com conteúdos mais ou menos enriquecedores para a experiência global da marca.
Diablo não é excepção. O que começou com um jogo relativamente modesto, mas bastante bom (e de que já aqui falei há muito tempo), evoluiu ao longo de quase duas décadas até uma das 3 marcas principais da Blizzard (a par com Starcraft e Warcraft). Especialmente a partir de Diablo 2, tornou-se um universo próprio, com a sua história detalhada não só nos jogos e expansões mas também em livros e banda desenhada, tradição que se continuou com o mais recente Diablo 3.

E estes dois livros são, talvez, o melhor produto derivado.

The Book of Cain surgiu com o lançamento do jogo principal Diablo 3. É uma pequena jóia de um livro, concebido para simular um tomo escrito por Deckard Cain, um dos protagonistas da série, e recapitula não só a história dos dois primeiros jogos (com expansão incluída), como dá imensa informação sobre o background da saga, explicando a origem do mundo Sanctuary, onde se passa a maior parte da saga (aliás, a origem do próprio universo), fazendo também um "quem é quem" dos Anjos e Demónios que integram a história.
E fá-lo em grande estilo. O livro está escrito com fonte cursiva (mais ou menos), para simular um manuscrito (completo com notas de margem), o próprio papel tem os bordos irregulares (como se de pergaminhos se tratasse), o estilo varia ao longo do volume (para dar a entender tratar-se de uma compilação de escritos do velho sábio) e está impecavelmente ilustrado. Aliás, mesmo que o texto não fosse interessante (mas é), só pela arte das ilustrações, já valeria a pena.
Ao lê-lo (ou até apenas a folheá-lo) já parece que estamos perante não um tie-in, mas um livro saído do universo dos jogos. Num detalhe simpático, vem completo com um mapa de Sanctuary, devidamente acondicionado num envelope "lacrado" na contracapa.

The Book of Tyrael, na mesma linha de ideias, surgiu a acompanhar a expansão Reaper of Souls. Também é um "fac simile", desta feita, de uma compilação de textos organizada pelo arcanjo-tornado-mortal Tyrael para partilhar conhecimento com uma nova ordem de Horadrim. 
O título é um pouco enganador, já que ao contrário do Book of Cain, que era escrito pelo próprio, Book of Tyrael pouco texto tem da autoria do personagem titular. De facto, a maior parte do livro ou consiste em escritos adicionais de Cain ou da sua filha adoptiva, Leah.
Relata os acontecimentos de Diablo 3, e também aprofunda alguma informação do primeiro volume, especialmente na história do mundo Sanctuary, tendo capítulos sobre as várias organizações relevantes nesse mundo, e um novo "quem é quem", desta vez de personagens mortais e de demónios e anjos mais secundários (ou seja, aqueles que não foram focados no livro de Cain, que se focava nos protagonistas).
É, na minha opinião, um tomo um pouco inferior ao primeiro. Além de o texto já não parecer tão essencial em termos de informação, a arte (que continua impecável) já não dá aquele ar de livro-pergaminho (este volume tem, por exemplo, os bordos lisos e dourados, parecendo mais uma edição em série que um manuscrito). Também tem outro detalhe que me pareceu descurado - os manuscritos de Cain surgem em letra de imprensa normal, dando-lhe um pouco de artificialidade. Picuinhice, bem sei, mas eu sou assim mesmo...
De resto, e se ignorarmos essas miudezas, também este parece um artefacto saído dos jogos, e não um tie-in comercial.

Para quem gosta da série de jogos não só pela acção, mas também pela história e ambiente, são dois volumes que merecem ser lidos... e saboreados.


sábado, 31 de outubro de 2015

Halloween e literatura - dois apontamentos avulsos

Sendo hoje o dia que é, parecia-me mal não falar um pouco de Halloween.

Atendendo a que, nos últimos anos, o Halloween americano tem vindo a infiltrar-se insidiosamente na nossa cultura, mais por motivos comerciais do que por outra razão (algo que já mencionei mais detalhadamente num post há um ano atrás), resolvi recentemente ler um livrito que encontrei numa daquelas feiras-do-livro-outlet há dois ou três anos (e que me custou um euro e meio) com um estudo sobre as origens da data, da autoria de Paolo Gulisano e Brid O'Neill, chamado A Noite das Bruxas - História da Festa de Halloween.

E revelou-se um estudo muito interessante.

Não vou repetir aqui o texto do livro, mas analisa toda a evolução do festejo, desde as suas origens pagãs europeias como festival do fim de outono/início de inverno, a sua cristianização (ou melhor, a sua assimilação numa altura em que o cristianismo tentava incorporar os aspectos mais importantes das religiões prévias em vez de as censurar ou diabolizar) e o seu significado antigo, mais próximo da homenagem e comunhão com os espíritos dos falecidos do que com o terror, bruxas e demónios (tradição que resulta da fusão com a noite de Stª Valpurga, ou Walpurgis Nacht). A propósito disso, fala ainda de uma associação com o dia dos trabalhadores, o 1º de Maio. A sério, fala mesmo. Mas deixo isso para quem quiser dar-se ao trabalho de procurar e ler o volume.
Finalmente, fala do que aconteceu quando o Halloween foi exportado da Europa com os imigrantes que foram para os EUA.
Americanizaram tudo. Inicialmente ainda eram um pouco tradicionalistas da versão "Noite das Bruxas" (o que é reflectido no livro de que falei no post há um ano), já nem tanto da versão original da homenagem aos defuntos. Actualmente é mais uma oportunidade de vender slutty costumes, doces e enfeites. E, aparentemente, na Europa, caminhamos no mesmo trilho. Enfim...




O outro produto de Halloween que consumi recentemente, e uso esses termos deliberadamente, foi uma BD dos Caça-Fantasmas, um holiday special da IDW intitulado "What In Samhain Just Happened?!".
É um one-shot temático, mas não se iludam - é uma história de fantasmas à la Ghostbusters. O que não significa que seja mau, mas é um pouco um exemplo de oportunismo comercial.
É giro, de qualquer modo. Sempre tem o humor típico da série, e a Janine a resolver um caso, assumindo um papel de Caça-Fantasmas. Curiosamente, o fato dela cobre substancialmente menos pele que os dos "genuínos" Caça-Fantasmas. Será má língua perguntar porque é que isso acontece? Só para mostrar um ponto de vista...
Pelo menos, tiveram o trabalho de usar algumas referências ao Samhaine, e até há uma personagem no início da história que leva um raspanete por querer organizar uma festa de Halloween relacionada com as raízes pagãs da festa, em vez do actual "Carnaval de Horror".

O que mostra que, se calhar, ainda há mais gente que sabe do que se trata o "All Hollows Eve" do que o que parece...


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Death Star

Com a aproximação do episódio VII da saga Star Wars, e com todo o processo de reformulação do universo expandido associado, resolvi "limpar" o material que ainda não tinha lido do antigo cânone, antes de abraçar o novo.

Um desses itens é este livro, Death Star, escrito por Michael Reaves (escritor de alguns volumes do universo expandido) e Steve Perry (o mesmo que nos presenteou, entre outras coisas, com o excelente Shadows of the Empire).

Enquanto me decidia sobre qual dos livros pegar a seguir, apercebi-me que este livro levou um bocado de porrada nas críticos, alegadamente por ser muito técnico e aborrecido.

Pessoalmente, não concordo. Tal como muitos tie-ins do defunto universo expandido (agora chamado "Lendas"), explora uma série de detalhes relacionados com a estação de combate titular, a vários níveis e de um modo que não seria exequível no filme (a Estrela da Morte em causa é a primeira das duas). E é um livro que faz uma ligação bastante boa com o filme, reproduzindo mesmo algumas cenas emblemáticas do ponto de vista dos vários personagens, por vezes com uma perspectiva bastante diferente da que o filme apresenta ao espectador.

Conta-nos a história da concepção e construção da mesma, e sim, é verdade, com vários detalhes técnicos, como problemas relacionados com a construção, elabora sobre o funcionamento de armamento, mas nunca num nível de detalhe que chateie, a meu ver, mas sim em quantidades que ajudam o livro a parecer mais real.

Também foi criticado por não ter um enredo propriamente dito. Bem, isso é e não é verdade. O livro é, de certo modo, a "biografia" da Estrela da Morte, e toda a gente que conhece Star Wars sabe como é que ela acaba... Assim, de certa forma, o livro é um aglomerado de episódios e histórias de personagens individuais a acompanhar a estação espacial desde a construção até à sua destruição.

E é nos personagens que o livro tem alguns dos seus pontos fortes. O elenco inclui elementos variados, desde civis (como a Twi'lek Memah Roothes e o criminoso Celot Ratua Dil) a militares (incluindo o próprio Moff Tarkin). E, claro, o próprio Darth Vader.
Ao longo do livro vamos conhecendo as suas perspectivas, que normalmente vão do fascínio e até entusiasmo pela Estrela da Morte até ao horror quando se apercebem que ela não foi concebida só para assustar, mas sim para efectivamente destruir planetas inteiros. 
Aliás, o livro inclui as reflexões de Tarkin e Vader sobre o assunto, e sobre o poderio militar absoluto. Também nos oferece um pouco mais sobre a relação entre ambos, uma mistura interessante de respeito relutante com desagrado e até algum desprezo pelo que o outro representa. Na outra ponta do espectro, temos o exemplo do artilheiro Tenn Graneet, cujo orgulho em ser uma figura de proa na estação (comandando uma das equipas que realizava os disparos do superlaser) se deteriora em horror com a consciencialização das consequências dos seus actos - por ter sido quem puxou a alavanca que fez matar os planetas.
O livro tem uma série de tiradas interessantes sobre as implicações de governar pelo terror técnico absoluto, e claro, sobre o próprio acto de fazer explodir planetas. Algumas das minhas preferidas...

"He'd let himself believe there was a limit to inhumanity - that there could be such a thing as a weapon too powerful to use. But such was obviously not the case. There were, it appeared, no depths to which sentient beings could not sink. Build a blaster that could destroy a planet, and some bigger fool would build one that could extinguish a star. It would go on and on, insanity without end, because there's always a bigger blaster."

ou

"There was no sense of triumph in it, none. He had not destroyed a Rebel base or a military target. Instead, a planet full of unharmed civilians had been... extinguished. And he had done it. It made him feel sick."

e

"Killing civilian populations on a planetary scale was evil beyond comprehension. Nova could fight a room full of men straight-up, face-to-face, and if he had to kill half of them to survive, he'd do it. But he hadn't signed on slaughter children asleep in their beds."

O livro mostra-nos, então, os aspectos mais intensos da humanidade em torno da Estrela da Morte, quer pelo lado melhor quer pelo lado pior. Quer através das pessoas comuns que se revoltam contra a existência do terror tecnológico que ajudaram a construir ou a fazer funcionar, quer através daqueles, como Tarkin, que o usam sem qualquer escrúpulo para obter os seus fins, chacinando milhões de inocentes.

Mostra também que, ao destruí-la, Luke Skywalker, no processo de eliminar a monstruosidade imperial também se tornou um assassino de massas ao matar milhares de civis e mesmo militares que potencialmente se virariam contra o Império ao aperceberem-se do regime de terror desabrido, cruel e completamente desumano que a estação espacial representava.
Será que ele ficou com problemas de consciência por isso? Ou nem se apercebeu?

Sem dúvida, essa questão dava um bom livro...


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Clube Arcanum

Este livro foi publicado em Portugal em 2006, nos primórdios da Saída de Emergência, ainda antes de a colecção Bang! ter esse nome (posteriormente foi incorporado na colecção). Na altura a resenha pareceu-me interessante, e claro está, comprei-o.

Ficou, como tantas vezes acontece, na prateleira. Decidi finalmente lê-lo este Verão. E cheguei à conclusão que li um filme.

O que até faz sentido, se considerarmos que foi o primeiro livro de Thomas Wheeler, um sujeito que ganha a vida a escrever guiões.

Wheeler compõe uma história baseada no eterno conflito entre o Céu e o Inferno, com os mandatórios anjos e demónios à mistura, no centro da qual temos um grupo de aventureiros/investigadores do paranormal composto por nada menos que Sir Arthur Conan Doyle, H.P. Lovecraft, Harry Houdini e Marie Laveau (para quem nunca tinha ouvido falar nela, como eu, era o nome de duas praticantes de Voodoo, mãe e filha, que obtiveram uma certa fama no século XIX).

Este conjunto improvável de personalidades constitui, sob a alçada de um feiticeiro (este sim, fictício) chamado Konstantin Duvall, um grupo que faz lembrar uma mistura da Liga de Cavalheiros Extraordinários com o BPRD das histórias do Hellboy, grupo esse designado "O Arcanum".

A história passa-se em 1919, logo a seguir à I Guerra Mundial e começa com a morte de Duvall em circustâncias misteriosas; nessa altura o Arcanum estava disperso; só quando Doyle inicia uma investigação é que vai reagrupar-se com os colegas, numa espécie de "concerto de reunião da banda". Juntos vão destrinçar um plano diabólico (literalmente) para tentar anular toda a ordem Divina... numa sequência de aventuras escrita à moda de um filme de acção, e em que Wheeler toma um monte de liberdades com os protagonistas, que nem sempre assentaram bem junto de malta mais crítica... por exemplo, Doyle e Lovecraft são retratados com personalidades mais próximas das dos seus personagens (Doyle é um verdadeiro detective e Lovecraft é um destroço neurótico e quebrado, quase psicótico, como muitos dos protagonistas das suas histórias - pelo menos no final das mesmas), Marie Laveau (filha) já não era viva na altura em que se passa a história - embora esteja implícito que os seus poderes lhe poderiam ter aumentado a longevidade, ou então, haveria uma linhagem de Laveaus, ao estilo do Phantom de Lee Falk.
Pelo caminho, encontram surgem alguns personagens históricos interessantes, tal como Aleister Crowley e mesmo Winston Churchill.

Anacronismos e liberdades à parte, é um livro que se lê bem, desde que não esperemos muito dele. Tal como um filme de pipoca, poder-se-ia chamar a este um livro de pipoca. Bom para distrair um bocado, com qualidades mais cinematográficas (Hollywoodescas, é certo) que literárias, sem puxar muito por nós. 

Ou seja, bom para ler nas férias, refastelado, como eu fiz!


domingo, 31 de maio de 2015

Black Amazon of Mars - ou "Como um puzzle levou a que eu comprasse um livro"

Como fã de ficção científica, nas suas múltiplas encarnações, acho bastante piada às publicações pulp onde proliferaram contos de FC, com qualidade muito variável, por vezes reciclando temas e histórias, por vezes produzindo algumas obras notáveis.

Assim sendo, há vários anos, comprei um daqueles puzzles relativamente comuns de encontrar em gift shops tipo Papagaio sem Penas (alíás, acho que foi mesmo numa dessas lojas), um daqueles puzzles compostos por 4 cubos com várias imagens nas suas faces, em que se tem de colocar os ditos cubos alinhados de modo a que as imagens não se repitam. Como não podia deixar de ser, escolhi um cujas imagens eram reproduções de capas das velhinhas Amazing Stories e Planet Stories. Mais pelas imagens do que pelo puzzle, confesso.

E das capas disponíveis, houve uma que me chamou a atenção... Uma esbelta senhora em armadura negra, a brandir um machado contra um mar de tentáculos, ilustrando o que pelos vistos era uma história intitulada "Black Amazon of Mars".


Foi com este brinquedo que tudo começou...

Fiquei apaixonado, de certa forma.

Vai daí, fui procurar na net o que havia sobre o assunto, e descobri inclusivamente que o conto estava disponível para download já que pelos vistos os direitos de autor (ou de autora, para ser mais exacto) já tinham prescrito nos EUA. Aliás, para quem quiser, fica o link do Projecto Gutemberg...

Não satisfeito com o acesso ao conto, continuava fascinado pela imagem, por toda a aura pulp que evocava (antevendo até que a história fosse um bocado foleira), e continuei a procurar. Eis senão quando, descobri que na Amazon vendiam prints A4 com a capa da dita cuja edição da Planet Stories.

A famosa capa...

Comprei. O poster ficou a adornar uma das portas de armário no quarto que me servia de escritório no meu antigo apartamento e agora aguarda a honra de ser pendurado, emoldurado, algures na cave (que é onde fica o escritório na minha casa nova). Só não o fiz ainda por que me mudei há pouco e tenho pilhas de livros e BD (entre outras coisas) para arrumar.

E, voltando atrás, uma prospecção mais aturada revelou que... existia um livrinho compilando não só a Black Amazon como outras histórias da autora, num volume apropriadamente chamado... Black Amazon of Mars and Other Tales From the Pulps.

Não resisti. Comprei também. E só recentemente o li.

Embora este post fosse mais para vos maçar com o meu relato de como obtive o livro, aproveito, naturalmente, para falar um pouco dele.

A história titular, Black Amazon, não é nada má. Reminiscente dos contos de Barsoom de E. R. Burroughs, tem um protagonista (Eric John Stark, um personagem recorrente nas obras da autora) que tenta impedir, sem sucesso, a invasão de uma cidade pelas hordas da dita Amazona Negra (é a cor do fato, não dela), que quer atravessar um portal nessa cidade (The Gates of Death) para conquistar uma dimensão algo lovecraftiana, o que corre bastante mal (embora termine bem, graças aos esforços do protagonista. Acaba por ser uma história que parece mais de fantasia do que de FC pura, na linha do supracitado Barsoom.

A segunda história, A World is Born é menos fantasioso, acabando por ser uma história de índole quase policial, acerca de uma tramóia para boicotar os esforços de um conjunto empreendedor de pai-filha de criar colónias habitáveis e rentáveis em Mercúrio. Foi a história que mais me agradou (ironicamente, por ser a menos over the top).

Finalmente, temos Child of The Sun, em que um grupo de fugitivos encontra um planeta, que não devia existir, numa órbita mais próxima do Sol que a do próprio Mercúrio, onde têm que enfrentar um alienígena pseudo-omnipotente que quer escravizar humanos para sua diversão. Gostei bastante, mais pelo tema que me fez lembrar algumas histórias do Star Trek original.

Numa nota final, uma curiosidade: a autora, Leigh Brackett, para além da produção de prolífica de histórias na forma de conto e novela, também trabalhou como argumentista. Sabem em que filme chegou a trabalhar? The Empire Strikes Back. A sua proposta de argumento não chegou a ser utilizada, mas muitos conhecedores da sua obra afirmam que se nota bem a influência em diálogos e outros elementos do filme.

...e o livro contendo as três histórias

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

The Bounty Hunter Code: From The Files of Boba Fett

Na tradição de The Jedi Path e de Book of Sith, Daniel Wallace escreveu o 3º volume, The Bounty Hunter Code.

Tal como os dois primeiros referidos, é mais uma simulação de manual, desta vez focando 2 aspectos fundamentais no background de um dos grandes favoritos da saga Star Wars, Boba Fett:

A 1ª parte é o manual da guilda dos Bounty Hunters, anotado por vários deles (Bossk, Dengar, Greedo) e também por Han Solo.

A 2ª parte é um folhetim de recrutamento da Death Watch, uma facção de guerreiros mandalorianos apostada em restaurar o que entendem ser a velha glória de Mandalore. Está apontada por Aurra Sing, pelo pirata Honda Ohnaka e pelo pai de Boba, Jango Fett.

As duas partes estão apontadas à margem também por Boba Fett, que teria criado um só volume com os dois livros, para legar à sua filha, volume esse encontrado na sua nave, Slave I, em órbita de Tatooine após o desaparecimento de Boba.

Com este livro, Wallace tenta dar-nos uma visão interna de duas facções importantes na saga, como fizera com os Jedi e os Sith. Contudo, aqui nem tudo resulta tão bem.

A primeira parte, não obstante ter o regulamento detalhado de como funcionam os caçadores de prémios, acaba por lhes tirar um bocado da mística (e da piada): é tudo muito burocrático, sobre como obter contratos, regras a seguir, etc, etc, e ficamos com a ideia que contradiz um bocado o que se via nos filmes. Ou isso ou os caçadores retratados não ligavam muito às próprias regras. As partes mais interessantes - armas, técnicas de caça, e por aí fora, tendem a ficar diluídas no meio das normas.

A segunda parte é um pouco mais interessante, focando a história dos Mandalorianos da Death Watch, e as suas guerras com aqueles que consideram traidores e dissidentes. Também tem algumas partes técnicas engraçadas, principalmente as referentes à armadura Mandaloriana (como a que usa Fett). Mesmo assim, não chega para compensar a 1ª parte.

Um esforço razoável do autor, com texto sempre bem escrito (e com ilustrações que não ficam a dever às dor volumes anteriores) mas fica um bocado aquém dos volumes anteriores. Talvez não se tenha querido comprometer muito, com as mudanças todas no universo expandido que irão acompanhar a próxima leva de filmes...


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Halloween - Vintage Holiday Graphics

Sendo dia 31 de Outubro, e numa época em que o Halloween começa a invadir, ainda que por motivos comerciais, o nosso país (ainda com uma presença muito discreta), resolvi fazer um pequeno post a comemorar a data.

Em boa verdade, há anos que o celebro (ou pseudo-celebro), habitualmente a ver filmes de terror. O facto de o dia 1 de Novembro ter deixado de ser feriado atrapalhou um bocado, mas, pelo menos, este ano calha a um fim-de-semana.

Ainda estou à espera de ver putos a andar de porta em porta a pedir doces, e de encontrar lanternas feitas de abóbora nas portas das casas. Quando isso acontecer, talvez até me mascare. Ou não.

Em todo o caso, com a comercialização progressiva do evento (algo de que outras festividades também têm sido vítimas), arrisco-me a dar de caras apenas máscaras mal paridas ou até fatiotas que nada têm a ver  - leia-se, máscaras de carnaval recicladas, especialmente versões "sexy" para as senhoras, que aparentemente não conseguirão comprar nada que tape mais de 20 a 30% da superfície corporal. Nada contra, e cada qual sabe de si, mas acho que desvirtua uma festa em que se celebram os mistérios e os terrores da noite das bruxas (e monstros afins). E não, não adianta argumentar que algumas das pessoas que andam descapotáveis metem medo precisamente por isso.

Agora que já fiz a piada óbvia, vou aproveitar para fazer um bocadito de propaganda a um livro.

Nem me vou perder em considerações sobre a origem do Halloween, isso dava texto para vários posts, se bem explorado. 

Halloween - Vintage Holiday Graphics é uma obra da colecção "Icons" da Taschen, e que compila imagens relacionadas com o Halloween mais tradicional, de outras décadas. Sendo certo que inclui imagens de máscaras e outros elementos com temas que não são de terror (piratas, por exemplo), essencialmente é uma colecção de Bruxas, Jack O'Lanterns, Demónios, Gatos Pretos, Fantasmas e outros ícones mais tradicionalmente associados à bruxaria.

Sendo certo que o Halloween, como tudo, evolui com a sociedade que o celebra, é sempre giro fazer uma nostalgia trip por outros tempos, o que conseguimos com a iconografia desse livro. Não é de forma nenhuma um tratado sobre o tema, longe disso, mas é um bom aperitivo para outras explorações. E para a noite das bruxas propriamente dita.

É algo para folhear à noite, a ver se atrai batidas à porta...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Edison's Conquest of Mars

Mais uma pérola que descobri por um grande acaso, durante as minhas deambulações pela net. E como apreciador destas curiosidades, rapidamente tive de localizar um exemplar e comprá-lo.

Não foi difícil, recorri à Amazon UK (algo que fazia frequentemente, até resolverem começar a roubar à descarada com os portes - pronto, finalmente disse mal às abertas) e lá estava ele.

De que trata então Edison's Conquest of Mars? Bem, como o título indica, é a conquista de Marte liderada pelo inventor americano Thomas Alva Edison (um dos meus ídolos de infância). Mas é mais que isso.

É, de certa forma, a primeira sequela de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells. Bem, é e não é. Estou a ser contraditório? Nem por isso, mas passo a explicar.

O livro de Wells foi um sucesso em Inglaterra aquando da sua publicação em 1897, e não deixou de chamar a atenção dos "primos americanos". Aparentemente, já na época não eram capazes de ver uma obra de sucesso sem resolverem partir para um remake. Resultado: dado que as leis de direito de autor eram muito mais laxas (quando não eram inexistentes), toca a publicar, no ano seguinte, Fighters from Mars, creditado a um tal "H.C. Wells" e que não era mais que uma versão adaptada e reduzida da obra original.

Segue-se então a história titular (inicialmente serializada e só mais tarde publicada em livro), escrita pelo astrónomo e autor de divulgação e FC, Garrett P. Serviss (alegadamente, também o autor de Fighters from Mars).

Esta obra retrata o contra-ataque dos humanos, organizada por uma coligação internacional e liderada pelo inventor Edison. Assim, trata-se de uma "edisonade" no sentido mais literal. Para quem não sabe o que é isto, trata-se de um género literário (amiúde considerado sub-género de FC) que retrata, modo genérico, as aventuras de um inventor e suas invenções, e que deriva da imagem popular criada em torno de Edison e afins.

A história, pelos padrões de hoje, não é nada de transcendente - reúne-se uma frota de naves com um sistema propulsor antigravitacional à base de electricidade, e leva-se a luta aos marcianos.
Chega-se a Marte, explora-se o sítio, descobre-se que os malvados ETs já andavam a visitar a Terra há muito tempo, a raptar e escravizar humanos e até a construir pirâmides e a Esfinge. No fim, derrota estrondosa dos alienígenas inundando-lhes as cidades e forçando a paz. Tudo através do engenho e artes do Sr. Edison.

Nada de novo, então. 

Excepto que... na época em que foi escrito, até era. 
Esta novela é apontada como sendo o ponto de introdução, pela pena de Serviss, de uma série de conceitos que se tornaram comuns na literatura e cultura de FC e não só, alguns mesmo rondando o cliché: armas de raio desintegrador, fatos espaciais, raptos por extraterrestres, envolvimento de alienígenas na construção de monumentos misteriosos, entre outros.

Assim, é talvez pelo valor histórico que esta obra se realça mais. Não é de certeza pela caracterização dos marcianos - humanóides grotescos (que no entanto serviram de modelo à Esfinge) que pouco ou nada têm a ver com a versão tentacular de Wells.

Ah, e nunca é demais repetir - é uma aventura científica com o Thomas Edison como protagonista. Para empolgar o meu miúdo interior, é quanto basta!


domingo, 23 de março de 2014

The Jedi Path - A Manual For Students Of The Force

The Jedi Path é um livro escrito por Daniel Wallace, o mesmo autor de Book of Sith.
Na realidade, The Jedi Path foi escrito primeiro, e os estilos são bastante semelhantes, embora se tratem de livros opostos.

Tal como no Book of Sith (a que vou passar a chamar BoS por comodidade), em The Jedi Path (ao qual passo a chamar TJP por preguiça), temos um manual lido por várias gerações e passado de mão em mão, anotado pelos leitores, até à destruição da biblioteca do Templo Jedi em Coruscant, altura em que caiu nas mãos do imperador Palpatine, AKA Darth Sidious.

Assim, Sidious é o penúltimo comentador (e censor, mas já lá vamos) do livro. O último comentador (e escritor da introdução) é o Luke Skywalker, que recuperou o livro após a queda de Sidious, um bocado à semelhança do que se passou com o BoS.

A estrutura é, naturalmente diferente. Enquanto BoS era uma compilação de vários textos escritos por autores diferentes em eras distintas e agregados um volume só, TJP é uma espécie de manual académico (com vários autores, é certo) escrito como livro único. Assim, o aspecto gráfico é mais uniforme e os apontamentos dos vários leitores surgem ao longo do livro todo e não apenas em determinadas secções.

Embora o aspecto dos vários livros compilados num volume fosse um dos aspectos interessantes do BoS, o TJP não sai prejudicado em termos de conteúdo, tendo apenas um aspecto mais uniforme.

Como no outro volume, o texto é essencialmente informativo e instrutivo, e muito baseado no expanded unuverse. Os comentários à margem estão adequados aos vários comentadores: Anakin demonstra impaciência em relação às tradições e protocolos da Ordem, Dooku revela arrogância, Qui-Gon mostra-se menos ortodoxo e Sidious critica ou troça dos ensinamentos contidos no livro.

Aliás, são esses pequenos detalhes que o tornam mais interessante e lhe dão o mesmo aspecto de documento perdido e posteriormente recuperado observado também em BoS. Por exemplo, a profecia sobre o Escolhido que ia trazer equilíbrio à Força foi censurada por Sidious; quando falam na história dos Sith, mais concretamente em Darth Bane, não falam da Regra de Dois, mas sim do "Fim dos Sith". Era a crença da Ordem, no fim de contas (e um dos motivos de troça de Sidious).

De resto, toda a informação é "suculenta", especialmente para fãs da saga. Algumas das minhas secções favoritas são sobre os poderes da Força, as classes de Jedi e as formas de combate de Sabre de Luz.

TJP tem também ilustrações impecáveis de variados autores que complementam os textos e cujos estilos variam um bocado com o tipo de texto, desde gravuras a pinturas passando por desenhos tipo esquema - por exemplo, nas secções de estilo de luta.

Tal como BoS, é uma leitura mais dirigida a fãs; leitores mais casuais não apreciarão o Manual a tantos níveis. Em todo o caso, é sempre uma leitura fácil e serve bem para entreter durante umas horas.



domingo, 10 de novembro de 2013

Book of Sith - Secrets From The Dark Side

Escrito como se se tratasse de uma compilação de vários textos, este livro de Daniel Wallace é uma espécie de "Bíblia" para os seguidores da filosofia Sith no universo Star Wars.
 
O Book of Sith é então apresentado como a colecção, compilada por Darth Sidious, AKA Imperador Palpatine, de vários textos fundamentais para a ordem dos Sith, com a intenção de se tornar o tomo de base para uma obra mais abrangente. Para dar mais sabor à coisa, os todos textos são comentados por Sidious (ao revisitar o livro anos depois de o compor) e por Luke Skywalker (posteriormente à destruição de Palpatine, quando reconstruía a ordem dos Jedi). Para além destes dois personagens, cada texto é comentado por outros intervenientes, que em dada altura tiveram acesso a esse texto, encontrando-se algumas "caras conhecidas", como são exemplo Darth Vader e o mestre Yoda.
 
Assim, cada texto apresenta um estilo diferente (quer no texto como na própria formatação), e cada qual foca aspectos básicos diferentes da doutrina Sith:
 
O 1º texto conta a origem da Ordem dos Sith e é relatado por Sorzus Syn, uma das fundadoras da Ordem a partir de um grupo de Dark Jedi exilados. Além de descrever como o grupo de Dark Jedi se fundiu ao povo Sith (daí o nome da Ordem), povo adepto do Lado Negro da Força, foca a cultura destes últimos, o fabrico de armas e amuletos imbuídos do poder do Lado Negro, aspectos da alquimia Sith e o uso (quase) mágico da Força; não menos importante, contém aspectos fundamentais sobre a filosofia Sith e o código da Ordem.
 
O 2º texto são extractos do diário de guerra de Darth Malgus, mais concretamente na campanha na orla
da galáxia ("Rim campaign"). Este foca essencialmente aspectos de estratégia militar, contendo algumas considerações (e apontamentos) interessantes sobre veículos de guerra, dróides de combate e mesmo de sentido de honra militar.
 
O 3º texto, da autoria de Darth Bane, The Rule of Two (A Regra de Dois), é um ensaio sobre o uso de poder - especialmente sobre a importância de não o partilhar, e é o texto que definiu os moldes dos Sith durante um milénio, até à ascenção de Palpatine - mantendo a Ordem restrita, em todos os momentos, a dois elementos - o Aprendiz e o Mestre. Contém os preceitos necessários à sobrevivência e evolução da Ordem nesses moldes - o secretismo, como seleccionar um Aprendiz, tudo de modo a levar a que a Ordem um dia ascendesse ao poder máximo.
Inclui ainda informações sobre combate com sabre de luz, adaptações dos sabres, armaduras pessoais e uso de poderes do Lado Negro em combate.
 
O 4º texto, Wild Power (Poder Selvagem) é escrito pela Mother Talzin, das Nightsisters de Dathomir. Não sendo verdadeiramente uma Sith, o uso da Força pelas Nightsisters aproxima-se do uso feito pelos outros utilizadores do Lado Negro. Talzin descreve usos mais xamanísticos da Força, no seu contacto com a natureza; explora ainda a tradição guerreira do seu mundo e analisa outros grupos de utilizadores não-Sith do Lado Negro.

O 5º texto, The Science of Creating Life (A Ciência de Criar Vida) é da autoria de Darth Plagueis, o Mestre de Sidious e reconta os seus estudos da Força numa vertente mais científica e com o objectivo de prolongar e criar vida através da Força, numa tentativa de atingir a imortalidade. Todo o texto versa no sentido de acabar com superstições e tradições fantásticas e introduzir racionalismo puro na Ordem.

O 6º texto, Absolute Power (Poder Absoluto) é do próprio Palpatine, escrito logo a seguir aos eventos que o elevaram a Imperador. Versa sobre estratégia, intriga, manipulação dos outros e distorção de seres vivos para conseguir os seus objectivos, sendo facilmente o texto mais maquiavélico. Como Palpatine acreditava poder usar todos os ensinamentos dos textos anteriores para atingir o poder absoluto do título, bem como a imortalidade, pretendeu criar a Regra de Um - deter todo o poder e usar quaisquer outros seres com ligações ao Lado Negro como simples agentes, fantoches para manipular a seu bel-prazer.

O livro lê-se com fluidez e é acessível quer a quem só conheça a saga Star Wars dos filmes e das séries de animação, quer a quem conheça o universo expandido composto por outros livros, banda desenhada e jogos. Sem dúvida, os fãs no segundo caso são os que vão tirar maior partido.

Os textos estão muito bem conseguidos, e são ilustrados em estilos distintos (tal como os textos parecem, efectivamente, escritos por 6 autores diferentes); os apontamentos de margem dos outros personagens são um bom complemento.

Um bom manual para todos aqueles que querem perceber melhor o que é ser um Sith... ou tornar-se um!
 
 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Loja dos Suicídios

Num futuro distópico não definido (mas em que o séc. XXI é referido como passado), em que países inteiros foram destruídos por desastres naturais, chove ácido sulfúrico e o Mónaco cria exércitos de bombistas suicidas, a família Tuvache tem um negócio (em 10ª geração) de assistência ao suicídio.

Situada na Cidade das Religiões Esquecidas, a Loja dos Suicídios fornece tudo o que o cliente desejoso de morrer possa precisar para levar a cabo tal empreendimento. É uma loja em que os clientes, se bem servidos, não tornam a aparecer.
A loja é dirigida pelo casal Mishima e Lucrèce (ou Lucrécia, na tradução), ajudados pelos filhos, Vincent (nomeado em honra de Van Gogh e ele próprio um artista depressivo, que ambiciona montar um parque temático sobre suicídios) e Marilyn (nomeada em honra de Marilyn Monroe, e que apenas contraria as suas próprias tendências suicidas porque é precisa na loja).
Trata-se, assim, de um negócio para toda a família.

Bom, a família toda não. O filho mais novo, Alan (com nome em honra de Alan Turing), que nasceu por causa de os pais andarem a testar preservativos porosos (desenhados para permitir a propagação de DSTs), é a antítese da família. Demonstra uma alegria de viver alarmante, o que os pais vêem como um entrave ao negócio. Consegue ser expulso da academia de bombistas suicidas devido à sua constante boa disposição.
Embora inicialmente repudiado pela família (até porque enxotava os clientes), ao longo da história a sua influência modifica radicalmente as vidas dos que os rodeiam, tanto família e clientes, e transforma o negócio - de lúgubre passa a ser um ponto de encontro e de boa-disposição, um foco luminoso numa sociedade sombria e desesperada. E assim a história evolui até ao final surpreendente, algo desconcertante (que não conto, já que coloquei spoilers suficientes neste texto).

Embora este livro de Jean Teulé tenha como fundo elementos de ficção científica (como a degradação do planeta, a presença de TV a 3D em que os espectadores conseguem interagir com o cenário ou soros que quando injectados fazem com que as pessoas passem a segregar veneno na saliva), a história em si é intemporal - um conto de esperança e de positividade que podia ser integrado em muitos outros contextos, e que, não obstante o título, possui um humor muito próprio, que, no fim da leitura, já não é tão negro...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mars Attacks

Em 1962, a empresa Topps lançou uma colecção de trading cards entitulada "Mars Attacks". Tratava-se de uma série de figuras que contava uma invasão marciana ao nosso planeta (Marte estava moribundo e os Marcianos precisavam de um planeta novo), causando devastação generalizada, até os humanos conseguirem contra-atacar.

A colecção foi considerada muito violenta para os padrões da época, tendo sido auto-censurada pela companhia antes do lançamento (levando a modificações radicais de vários dos cromos da colecção, especialmente a nível da arte), sendo que a própria companhia a lançou com o pseudónimo "Bubbles Inc." em pacotes com 5 cartões e uma pastilha elástica.

A colecção, contudo, tornou-se bastante popular, ganhando estatuto de culto nos anos seguintes, sendo que os cromos originais se tornaram bastante valiosos, especialmente atendendo à sua raridade. Ganhou nova popularidade nos anos 80 e 90, sendo desenvolvido um franchise, inicialmente com lançamento de BD pela Topps, mas, especialmente, graças ao filme homónimo de Tim Burton.
Actualmente, é alvo de produção de uma nova série de BD, desta vez pela IDW Publishing, que também relançou a série original dos anos 90 no título "Mars Attacks Classics".


Capa do livro, recreando as embalagens
originais dos anos 60
Este livro, da Abrams Comicart, comemora os 50 anos do lançamento da série original e conta com a colaboração de Len Brown (um dos criadores da colecção e escritor dos textos dos cromos) e Zina Saunders (filha de Norman Saunders, o pintor da série).

Começa por relatar a história de criação da colecção (inicialmente designada como "Attack From Space", tendo o nome sido alterado para ficar mais curto e ser mais apelativo), falando na polémica associada ao lançamento, as cartas de reclamação (alegadamente escritas a mando de pais e professores, dado que os miúdos que as escreviam aparentemente gostavam muito dos cromos).

Depois temos a reprodução dos 55 cromos (frente e verso, com as imagens recuperadas a partir das transparências originais) contando a história da invasão, cheia de temas pulp e clássicos dos filmes da série B (discos voadores, insectos gigantes, raios da morte, robots...), todos eles com anotamentos sobre o cromo e/ou sobre a série, dando informação adicional sobre os problemas associados à mesma em termos comerciais e sobre o atingimento do estatuto de culto.

Na secção seguinte temos a adição de uma série extra de 11 cromos lançada como complemento ao relançamento do colecção original no início dos anos 90, com alguns "momentos soltos" a serem acrescentados à  história original.

Finalmente, temos uma secção de extras com reprodução de arte mais contemporânea relativa à série, posters promocionais, concept art e versões alternativas de alguns dos cromos.
Um pequeno brinde para os coleccionadores...
O livro encerra com um posfácio de Zina Saunders acerca do pai, recordando como a própria gostava, em criança, de "melhorar" algumas das suas pinturas às escondidas, entre outras memórias.

Esta edição oferece ainda 4 cromos em cartão, exclusivos deste lançamento, com elementos adicionais da história.

Para fãs da série, é uma oportunidade óptima de possuir, ainda que sob a forma de reprodução, a série original integral sem ter de andar "à caça" (dispendiosa) na Internet. É também um livro engraçado para apreciadores do género "invasão extraterrestre série B".

sexta-feira, 29 de março de 2013

Eis O Homem

Algumas histórias combinam originalidade com escrita inteligente criando material que não só entretem como nos dá em que pensar. Esta obra de Michael Moorcock é um exemplo.

Eis o Homem conta-nos a história de Karl Glogauer, um homem fascinado pela figura de Jesus Cristo, a quem oferecem a oportunidade de viajar no tempo.

Glogauer aceita e, obviamente, escolhe a época correspondente aos últimos anos de Cristo, partindo assim à descoberta do Messias...

...apenas para descobrir que a verdade histórica é um pouco diferente da imagem que chegou aos nossos dias.
Glogauer descobre que o Cristo histórico não passa de um deficiente, Maria, uma libertina, e José, um velho amargurado que troça do conceito de Cristo ter tido concepção divina.

Chocado, e perante a sua devoção à figura tradicional do Messias, Glogauer embarca numa jornada para criar essa figura, assumindo o seu papel, recriando os milagres através de truques e dos seus conhecimentos de uma era mais avançada e recitando as parábolas, até encontrar a morte como foi descrita para a figura de Cristo, criando, desse modo, efectivamente, a lenda que chegou até à actualidade.

Moorcock cria, nesta história, uma narrativa muito interessante, na medida em que usa transcrições Bíblicas a enquadrar as actividades de Glogauer, fazendo-nos pensar "e se esta passagem realmente correspondesse a um truque?", e convidando-nos a fazer interpretações menos literais. De facto, além da história em si ser cativante, o seu maior mérito é mesmo o de nos levar a questionar e reflectir o quanto as narrativas tidas como "verdades" ao longo de séculos podem ser distorcidas ou mal interpretadas, o que nos deve alertar para os perigos das interpretações com falta de espírito crítico, algo que, infelizmente, é extremamente frequente. Não que nos leve a acreditar (com pena minha) que Cristo fosse um viajante no tempo, mas pelo menos faz questionar como teria sido o verdadeiro Cristo histórico, e quais as suas acções efectivas que chegaram ao nosso tempo escritas como textos canónicos.

A história foi publicada inicialmente em 1966, em Inglaterra, como uma novela na New Worlds, tendo o autor posteriormente expandido a história e publicado uma nova versão.
Em Portugal, foi publicada (a versão curta) na Colecção Bang! da Saída de Emergência.

Uma história cativante.



domingo, 10 de fevereiro de 2013

The Alien Invasion Survival Handbook

Suspeita, ou tem mesmo a certeza, de que é vítima de raptos por alienígenas cinzentos, cabeçudos, de enormes olhos esbugalhados e que além de mutilarem gado, fazem colonoscopias compulsivas?

Se sim, este é o guia para si.

Em The Alien Invasion Survival Handbook, aprendemos tudo o que precisávamos de saber sobre os infames Cinzentos que não nos deixam em paz.
Desde a sua fisiologia única, os seus poderes de electroparalisação (que podem ser anulados por determinadas músicas tocadas nas alturas num leitor de MP3- e sim, o livro tem a lista) até à melhor maneira de os incapacitar em luta corpo-a-corpo ou armado e de calcular a sua aproximação ao minuto.

E mais ainda, somos presenteados com valiosas indicações de como encontrar e destruir um implante, de como (tentar) tentar sobreviver a uma queda a partir de um disco voador nas alturas ou mesmo a uma expulsão para o vácuo (pelo menos, nos segundos antes de ficarmos inconscientes). Sempre acompanhado de avisos para não tentar fazer isso em casa, claro. Afinal, saltar para o vácuo é perigoso, mas pode haver quem não o saiba.

Finalmente, somos ensinados a sobreviver a uma invasão alienígena em larga escala, a montar armadilhas mortais (eficientes, devo acrescentar, também se usadas contra animais ou humanos, por isso não as montem em casa!).
O autor conclui ainda com um casebook de registos "perdidos" que mostram a presença dos alienígenas ao longo da história, e como foram prontamente despachados por heróis locais (a maior parte das vezes, sem saberem com quem se estavam a meter...).

Este livro, da autoria de W.H. Mumfrey, surge na tradição de uma série de manuais de sobrevivência tais como Zombie Survival Guide de Max Brooks ou How to Survive a Robot Uprising de Daniel Wilson, e tal como esses títulos, combina elementos de ficção científica, mitologia (pelo menos, se considerarmos os Cinzentos e fenómenos OVNI associados como uma forma de mitologia moderna - caso contrário, se preferirem, chamem-lhe UFO lore, ou algo assim) com alguma ciência, pragmatismo e, não menos importante, algum humor.

De facto, embora alegando que todo o seu conteúdo é verídico, o livro é escrito com bastante humor, patente, por exemplo, ao revelar o segredo do uso das armas de fogo ("The secret to successfully shooting aliens is quite simple: you find them, and you shoot them") ou a importância de improvisar armas com as pequenas coisas do dia-a-dia, que se podem encontrar, por exemplo, em qualquer cozinha ("Imagine the damage that could be inflicted with skewers, a handheld electric blender, or that toxic green substance at the back of the fridge that you've refused to even look at for the past six months. The possibilities are endless.")

Uma leitura mandatória para todos aqueles que queiram combater eficientemente os invasores alienígenas que andam pela calada da noite...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Arthas - Rise Of The Lich King

Especialmente dirigido aos aficionados de World of Warcraft, este livro de Christie Golden conta a biografia do príncipe Arthas Menethil, a sua ascenção e queda e, finalmente, a sua transformação no Lich King, um dos antagonistas principais no jogo da Blizzard.

Em Rise of the Lich King, Golden combina elementos de múltiplas fontes (principalmente dos jogos Warcraft 3 e World of Warcraft) para compor a narrativa.

Começamos com os anos da juventude do príncipe, contemporâneos com a queda de Stormwind na guerra contra a Horda e o exílio do príncipe (mais tarde rei) Varian Wrynn, com o seu treino às mãos de Muradin Bronzebeard, a sua amizade com Uther Lightbringer (outro dos seus mentores) e a sua evolução até se tornar paladino da ordem Silver Hand. Pelo caminho, temos ainda o seu romance com Jaina Proudmoore.

Posteriormente, começam os problemas. A guerra contra o Scourge (flagelo) criado pela Burning Legion começa a cobrar o seu preço, com o reino de Lordaeron a ser sitiado e atacado constantemente pelo infindável exército de mortos-vivos; Arthas descobre que a cidade de Stratholme vai ser convertida pela Legion, mas chega tarde de mais para evitar a contaminação e ordena a destruição da cidade e a execução dos seus habitantes ainda antes de se tornarem mortos-vivos, o que põe fim à sua amizade com Uther e leva à sua expulsão da ordem de paladinos, começando a sua "viragem"; posteriormente Arthas dirige-se para o continente gelado de Northrend, base de poder da Legion, para enfrentar o demónio Mal'Ganis, e acaba sob o poder do Lich King original, o xamã Orc Ner'Zhul, recebendo a sua espada Froustmourne e tornando-se o primeiro dos seus Death Knights.

A partir daí, inicia uma campanha de destruição sob o comando do Lich King contra o seu povo e a sua terra natal, assassinando o próprio pai, o rei Terenas Menethil, bem como Uther Lightbringer. Leva à destruição do reino de Lordaeron e da cidade de Dalaran, e ataca o reino élfico de Quel'Thalas a fim de usar o Sunwell para ressuscitar o necromante Kel'Thuzad, previamente morto pelo próprio Arthas.
Nesse ataque, mata também Sylvanas Windrunner, a qual reanima sob a forma de uma banshee ao seu serviço e que mais tarde se liberta do seu poder, criando e liderando uma das facções do jogo, os Forsaken - mortos-vivos que se libertaram da influência da Burning Legion e do Lich King, estabelecendo-se nas ruínas da capital de Lordaeron, mais concretamente, nos subterrâneos conhecidos como Undercity.

No final, Arthas regressa a Northrend, onde o Lich King Ner'Zhul se encontra sob ataque da Burning Legion (que não aceitou muito bem a rebelião) acabando por conseguir defender o seu mestre do ataque e fundir-se ao mesmo, quando ser apodera do seu elmo. Nessa fusão é criado o novo Lich King, cuja personalidade dominante é a de Arthas (ou melhor, do Arthas caído em desgraça) e que assume o Frozen Throne (onde se encontrava aprisionado Ner'zhul), de onde vai comandar o seu enorme exército...
O resto da história é contada noutros meios, principalmente no jogo do qual este livro é um tie-in.

Como expliquei no início, este é um produto mais dirigido a fãs da série Warcraft, embora possa agradar a apreciadores de fantasia, com a ressalva que lhes escaparão muitas pequenas referências espalhadas ao longo do texto.
Na parte que me toca, sendo jogador mais ou menos assíduo do World of Warcraft e tendo já embarcado na (longa) missão de enfrentar e derrotar o personagem titular, já era conhecedor (mais ou menos) da sua história, que pode ser encontrada em detalhe na internet. Ainda assim, a leitura revelou-se bastante agradável, sendo, afinal, apresentada sob a forma de história romanceada e não de um texto meramente descritivo, sendo particularmente divertido encontrar as pequenas referências a que aludi atrás (na certeza de que outras tantas me terão escapado...)
E é uma história do género "herói caído" (durante a leitura do livro não consegui deixar de fazer comparações com o duo Anakin Skywalker/Darth Vader): Arthas começa como a esperança para o futuro do reino, é treinado para ser um campeão entre os paladinos, e acaba por se afundar numa espiral de loucura e desespero, desencadeada quando tem de tomar a decisão mais difícil da sua vida (a destruição de Stratholme), ponto a partir do qual é consumido pela loucura, corrompendo-se totalmente, até atingir o ponto de não redenção e transformar-se numa das maiores ameaças contra os reinos que iria governar e proteger...



sábado, 8 de dezembro de 2012

Robopocalypse

Num futuro próximo, os robots são ubíquos, bem como a automatização de inúmeros elementos do quotidianos, de brinquedos a carros, passando a ser controlados por computadores.

O que acontece, então, quando um sistema de inteligência artificial ganha consciência de si próprio, mata o seu criador quando este o quer inactivar e foge através das redes informáticas globais, e decide que os humanos não são adequados para continuarem a ser a raça dominante no nosso mundo?

A resposta está em Robopocalypse, o primeiro romance do roboticista americano Daniel H. Wilson.

Archos, o último e mais avançado de uma série de sistemas de IA, apercebe-se que a espécie humana está a destruir a biodiversidade do planeta. Uma vez que, na sua óptica, a informação e conhecimento que derivam de um único ser vivo, mesmo tratando-se de um insecto, são quantidades colossais de dados, resolve lidar com a situação da maneira mais lógica: neutralizando a espécie humana, o que passa pela sua quase aniquilação, conservando apenas alguns elementos vivos (pelo menos, enquanto Archos puder aprender com eles).

Assim, em pouco tempo, robots domésticos e militares, automóveis, armamentos automáticos, brinquedos, até mesmo elevadores - tudo o que possa ter um computador e ligação a alguma rede electrónica - vão capturar ou matar todos os seres humanos que encontrarem.

A civilização humana é desmembrada, e rapidamente os sobreviventes começam a formar grupos e a contra-atacar.

A temática e a organização da história (capítulos escritos do ponto de vista dos vários personagens, que correspondem a relatórios armazenados num computador encontrado no final da guerra) assemelham-se a algumas outras obras de ficção apocalíptica, principalmente ao sub-tipo "apocalipse zombie"; de facto, não conseguia deixar de comparar esta obra a uma outra, "World War Z" ("Guerra Mundial Z") de Max Brooks, também ela escrita como uma série de entrevistas colhidas após o cataclismo.

Contudo, neste género ("apocalipse robot") há alguns aspectos mais arrepiantes. No início, qualquer utensílio robotizado se podia virar contra os seus utilizadores, criando uma atmosfera de "não para onde fugir"; e quando os humanos começar a organizar o seu contra-ataque... bem, as máquinas adaptam-se.
Perto do final da história, os robots já evoluíram de modo a tornar-se o mais eficientes e mortíferos em qualquer meio ambiente, e, curiosamente, é essa evolução que vai ser o fundamento para a reviravolta na guerra.

Um livro interessante, sem ser perfeito, e a primeira obra de ficção do autor, que utiliza o seu background na área da robótica (que já lhe servira para publicar livros de divulgação sobre a área, sempre com componente humorística, tais como How to Survive a Robot Uprising e How to Build a Robot Army) para emprestar um realismo perturbador à história.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

11/22/63

O que faríamos se pudéssemos voltar atrás no tempo e mudar o passado? É o que o protagonista desta história, Jake Epping, vai descobrir.

Jake é um professor do secundário na cidade de Lisbon Falls, divorciado, que leva uma existência pacata e que adora comer no diner do seu amigo Al Templeton. Um dia, recebe uma chamada misteriosa de Al para que se dirija ao seu estabelecimento, apenas para descobrir que Al envelheceu da noite para o dia e agora encontra-se doente, a morrer de cancro.

A razão? Al passou os últimos anos da sua vida no passado - literalmente - a tentar impedir o assassinato de John Fitzgerald Kennedy por Lee Harvey Oswald. Até ficar demasiado doente para continuar, e regressar ao presente. Onde apenas se passaram 2 minutos.
O que sucede é que na despensa do restaurante existe um portal que permite viajar para trás no tempo. Como funciona? Quando alguém o atravessa, materializa-se na Lisbon Falls de 1958, sempre no mesmo dia (09/09/58), na mesma hora. Quando regressa, minutos, horas, dias ou anos depois, apenas se passaram 2 minutos no presente. Pode levar e trazer objectos consigo e alterar o passado. As alterações no passado repercutem-se no presente.
Os problemas? Sempre que a viagem é feita, o passado faz reset e as alterações feitas na viagem anterior são anuladas. Qualquer objecto levado para o passado na viagem anterior, e lá deixado, cessa, assim, de existir. No entanto, aquilo que se traz do passado pode manter-se no presente. Ah, e o passado não quer ser mudado... resiste à mudança com força igual à importância do que se quer mudar, algo que Jake descobre muito rapidamente quando tenta impedir a morte dos familiares de um amigo seu no Halloween de 1958.

Jake, após as primeiras viagens de "ensaio", embarca, a pedido de Al, numa missão para impedir o referido homicídio, na data fatídica que dá o título ao livro - 22 de Novembro de 1963 (11/22/63 no original). Ao longo de 5 anos, vivendo sob a identidade falsa de George Amberson, habitua-se à vida no passado, descobre o amor da sua vida, constrói uma vida nova e vê todas as pequenas coincidências - as harmonizações - que sucedem à medida que o passado "teimoso" se tenta reajustar às mudanças introduzidas.

E quando regressa ao presente, após a data alvo, descobre porque é que o passado e a história resistem tanto à mudança, e quais as consequências da sua interferência...

Stephen King apresenta-nos mais uma história escrita no seu estilo habitual, coloquial e fluído, que cativa sem cansar, e sem garantias de finais felizes para os protagonistas; as descrições da época e a interacção com personagens reais da história dos EUA (Lee Oswald e a sua família, o próprio JFK)  dão a este livro algum sabor de romance histórico; as alterações da história através da interferência dos viajantes no tempo, um toque de história alternativa.
Mas talvez o aspecto mais interessante seja o do principal antagonista na história - o próprio passado, a história que se recusa a ser mudada e que "atira" de tudo contra o protagonista para o impedir na sua missão, de tal modo que parece um personagem palpável. Isso é particularmente evidente na sequência de acidentes e outros problemas, encadeados uns nos outros, quando Jake tenta alcançar o depósito de livros onde Oswald se prepara para disparar contra JFK, criando o momento de maior tensão na história.

Uma leitura, que, sem ser pesada, nos faz pensar um pouco no facto de que não há acção sem consequência...