Benvindos!


Bem-vindos!

Neste blogue iremos encontrar (ou reencontrar) pedaços da imaginação e criatividade humana nas mais diversas formas e feitios - Livros, Banda desenhada, Cinema, TV, Jogos, ou qualquer outro formato.

Viajaremos no tempo, caçaremos vampiros e lobisomens, enfrentaremos marcianos, viajaremos até à lua, conheceremos super-heróis e muito mais.

AVISO IMPORTANTE: pode conter spoilers e, em ocasiões especiais, nozes.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dungeon Hack


Quem está familiarizado com RPGs, especialmente os concebidos para computador, conhece provavelmente os nomes do Rogue e do Hack, dois RPGs cuja particularidade principal é a aleatoriedade.
Ou seja, a cada vez que se jogava, era criado um sistema de níveis diferente do das outras vezes que nos aventuráramos, com o resultado prático de que nunca (teoricamente) se repetia o jogo.

A capa da caixa do jogo, na versão em disquetes.
Dungeon Hack, da SSI, foi buscar esse sistema, permitindo gerar um sistema de masmorras novo de todas as vezes que se inicia um jogo novo. Ao conjunto de mapas era atribuído um código de letras/números que podia ser reinserido se quiséssemos repetir o jogo, de outro modo, era criado um conjunto novo na vez seguinte.

Uma das características mais importantes deste jogo era a possibilidade de, embora não fosse possível criar os mapas com um editor, poder personalizar o cenário de jogo de múltiplas maneiras: aumentar ou diminuir o grau de dificuldade, quantidade de comida, tesouros e armadilhas presentes, excluir monstros da classe undead (além de serem mais difíceis, alguns dos seus ataques davam penalizações permanentes aos jogadores).

A tradicional carne de canhão, neste caso, um Goblin.

Corredores escuros, até perder de vista. Quem sabe o que se esconde nas sombras?

O jogo era passado no universo Dungeons & Dragons, mais concretamente no ambiente de jogo Forgotten Realms, e ia aí buscar o seu bestiário e galeria de heróis, bem como as regras de combate e acções.

O bestiário era muito variado e incluía um pouco de tudo: Goblins, Orcs, Trolls, Wyverns, Ettins, Medusas, Cockatrices, Bugbears, Minotaurs, só para citar alguns, para além de um sortido de mortíferos undead.

As classes e raças disponíveis era o habitual em jogos D&D, Humanos, Elfos, Anões, etc., com a possibilidade de ter personagens multiclasse, algo extremamente útil se tivermos em conta que só tínhamos direito a usar um personagem único, e não um grupo, como era habitual noutros RPGs similares em formato, como os da série Eye of the Beholder, para citar um exemplo.

O Dungeon Hack, jogado em perspectiva de primeira pessoa, não tinha história de que valha a pena falar, estando essencialmente centrado no combate e exploração, aproximando-se assim mais de um RPG de acção e o objectivo, como nos jogos desta linha, era o de alcançar o nível final para matar um monstro particularmente mais difícil (ou seja, um boss), neste caso, um Elemental Lord.

Uma chave sob a forma de uma jóia. Muito tradicional.

 
O big boss do jogo, o Elemental Lord. Tão antipático quanto feio.


Era um jogo que, não sendo particularmente sofisticado do ponto de vista técnico, tinha uma re-jogabilidade muito extensa, com o qual se podia passar umas horas valentes de aventura, adaptável a jogadores mais casuais ou mais hardcore e que pertence à linhagem dos referidos Rogue e Hack, linhagem essa que deu origem a títulos mais famosos como o primeiro Diablo e algumas curiosidades como Doom Roguelike.

Um "oldie" para recordar.



domingo, 6 de janeiro de 2013

Arthas - Rise Of The Lich King

Especialmente dirigido aos aficionados de World of Warcraft, este livro de Christie Golden conta a biografia do príncipe Arthas Menethil, a sua ascenção e queda e, finalmente, a sua transformação no Lich King, um dos antagonistas principais no jogo da Blizzard.

Em Rise of the Lich King, Golden combina elementos de múltiplas fontes (principalmente dos jogos Warcraft 3 e World of Warcraft) para compor a narrativa.

Começamos com os anos da juventude do príncipe, contemporâneos com a queda de Stormwind na guerra contra a Horda e o exílio do príncipe (mais tarde rei) Varian Wrynn, com o seu treino às mãos de Muradin Bronzebeard, a sua amizade com Uther Lightbringer (outro dos seus mentores) e a sua evolução até se tornar paladino da ordem Silver Hand. Pelo caminho, temos ainda o seu romance com Jaina Proudmoore.

Posteriormente, começam os problemas. A guerra contra o Scourge (flagelo) criado pela Burning Legion começa a cobrar o seu preço, com o reino de Lordaeron a ser sitiado e atacado constantemente pelo infindável exército de mortos-vivos; Arthas descobre que a cidade de Stratholme vai ser convertida pela Legion, mas chega tarde de mais para evitar a contaminação e ordena a destruição da cidade e a execução dos seus habitantes ainda antes de se tornarem mortos-vivos, o que põe fim à sua amizade com Uther e leva à sua expulsão da ordem de paladinos, começando a sua "viragem"; posteriormente Arthas dirige-se para o continente gelado de Northrend, base de poder da Legion, para enfrentar o demónio Mal'Ganis, e acaba sob o poder do Lich King original, o xamã Orc Ner'Zhul, recebendo a sua espada Froustmourne e tornando-se o primeiro dos seus Death Knights.

A partir daí, inicia uma campanha de destruição sob o comando do Lich King contra o seu povo e a sua terra natal, assassinando o próprio pai, o rei Terenas Menethil, bem como Uther Lightbringer. Leva à destruição do reino de Lordaeron e da cidade de Dalaran, e ataca o reino élfico de Quel'Thalas a fim de usar o Sunwell para ressuscitar o necromante Kel'Thuzad, previamente morto pelo próprio Arthas.
Nesse ataque, mata também Sylvanas Windrunner, a qual reanima sob a forma de uma banshee ao seu serviço e que mais tarde se liberta do seu poder, criando e liderando uma das facções do jogo, os Forsaken - mortos-vivos que se libertaram da influência da Burning Legion e do Lich King, estabelecendo-se nas ruínas da capital de Lordaeron, mais concretamente, nos subterrâneos conhecidos como Undercity.

No final, Arthas regressa a Northrend, onde o Lich King Ner'Zhul se encontra sob ataque da Burning Legion (que não aceitou muito bem a rebelião) acabando por conseguir defender o seu mestre do ataque e fundir-se ao mesmo, quando ser apodera do seu elmo. Nessa fusão é criado o novo Lich King, cuja personalidade dominante é a de Arthas (ou melhor, do Arthas caído em desgraça) e que assume o Frozen Throne (onde se encontrava aprisionado Ner'zhul), de onde vai comandar o seu enorme exército...
O resto da história é contada noutros meios, principalmente no jogo do qual este livro é um tie-in.

Como expliquei no início, este é um produto mais dirigido a fãs da série Warcraft, embora possa agradar a apreciadores de fantasia, com a ressalva que lhes escaparão muitas pequenas referências espalhadas ao longo do texto.
Na parte que me toca, sendo jogador mais ou menos assíduo do World of Warcraft e tendo já embarcado na (longa) missão de enfrentar e derrotar o personagem titular, já era conhecedor (mais ou menos) da sua história, que pode ser encontrada em detalhe na internet. Ainda assim, a leitura revelou-se bastante agradável, sendo, afinal, apresentada sob a forma de história romanceada e não de um texto meramente descritivo, sendo particularmente divertido encontrar as pequenas referências a que aludi atrás (na certeza de que outras tantas me terão escapado...)
E é uma história do género "herói caído" (durante a leitura do livro não consegui deixar de fazer comparações com o duo Anakin Skywalker/Darth Vader): Arthas começa como a esperança para o futuro do reino, é treinado para ser um campeão entre os paladinos, e acaba por se afundar numa espiral de loucura e desespero, desencadeada quando tem de tomar a decisão mais difícil da sua vida (a destruição de Stratholme), ponto a partir do qual é consumido pela loucura, corrompendo-se totalmente, até atingir o ponto de não redenção e transformar-se numa das maiores ameaças contra os reinos que iria governar e proteger...



sábado, 29 de dezembro de 2012

Batman - Noël

Dentro do espírito natalício destes dias, pareceu-me apropriado apresentar esta história do Batman, escrita e ilustrada por Lee Bermejo, o mesmo que desenhou as graphic novels "Joker" e "Lex Luthor: Man of Steel".

Inspirada pelo "Conto de Natal" de Dickens, este álbum mostra um Cavaleiro das Trevas completamente obcecado com a perseguição ao seu inimigo mortal, Joker. Como tal, apresenta-se com uma disposição absolutamente sombria e quase cruel (na maneira como trata o filho de um bandido de 2ª associado a Joke , segindo a filosofia de que se o aterrorizar em criança, o medo impedirá o miúdo de se tornar criminoso ao crescer).
A perseguição leva a Batman que fique ferido e cada vez mais doente, hostilizando o Super-Homem e a Catwoman, até cair numa armadilha do Joker, que o enterra vivo antes do confronto final entre ambos, mostrando aonde a obsessão do herói o poderá conduzir.

Toda a história faz recorrentes comparações entre o passado, mais brilhante, o presente sombrio e o possível futuro, ainda mais negro, conduzindo a um final de redenção e mudança do herói, que muito adequadamente é designado como "Scrooge" pelo narrador.

Bermejo mostra aqui as suas capacidades de escrita, ao adaptar este conto universal ao universo da DC, mas é mesmo na arte que brilha. O contraste entre a escuridão do Batman-presente (muito menos marcada no Batman-passado) e o Super-Homem, bem como entre as versões antigas e presentes dos personagens Batman e Catwoman (vistos em flashbacks e nos fatos antigos em exposição na caverna de Batman) dão o tom à história, e a cidade de Gotham não desaponta: mesmo na época natalícia consegue ser opressiva. E os  personagens, sombrios ou não, são espectacularmente representados, com a atenção a pequenos detalhes que os tornam mais realistas, dando quase a sensação de estarmos a ver um filme e não a ler uma BD.

Um conto de Natal diferente.

Corridor 7

Um dos vários clones do Wolfenstein 3D, e um dos melhor conseguidos, Corridor 7 - Alien Invasion, traz-nos uma invasão alienígena (ou extradimensional, ou talvez alienígena extradimensional) combatida por um herói solitário, à boa moda dos FPS desses tempos.


O ecrã de título, com o nosso lobo solitário


A história do jogo é muito simples (e como era costume dentro do género, serve só como pretexto para o tiroteio), baseando-se na premissa de que uma expedição a Marte encontrou um pequeno artefacto alienígena enterrado (o que é uma sorte, afinal Marte não é um planeta tão pequeno assim), e toca de o trazer para a Terra para ser estudado. Mal começam a mexericar no aparelho, o mesmo abre um portal no meio do laboratório (situado numa instalação chamada "Corridor 7") e começa a chover invasores de várias formas e feitios no local, que é imediatamente encerrado, e chamada a cavalaria (o jogador).

O objectivo, linear, consistia basicamente em matar um determinado número de aliens dentro de um nível para permitir chegar ao nível seguinte até chegar ao nível 30, onde se encontrava o bendito portal, para o poder destruir. Para os abençoados com a versão CD-ROM do jogo (tal como eu), podia entrar-se no portal e levar o combate até ao mundo dos invasores em mais 10 níveis de matança metódica.

Até aí, nada de muito novo, cumprindo a jogabilidade típica destes primeiros FPS.

Corridor 7, contudo, trouxe alguns detalhes engraçados. Além da necessidade de desinfestar o nível antes de poder passar ao seguinte (a maioria dos seus congéneres apenas obrigava a obter as chaves, sendo possível nem matar ninguém na maioria dos níveis), apresentava um mini-mapa para ajudar, apontando a localização dos aliens (dependendo do grau de dificuldade, podiam aparecer mais ou menos porções do mapa de cada vez), tinha um sortido de armas considerável relativamente ao Wolf3D e uma boa variedade de inimigos, alguns deles especiais.


Um olho voador. Estes aliens eram mais olhos que barriga.
Aliás, mais olhos do qualquer outra coisa...

Assim, além da carne para canhão na forma de olhos flutuantes (uma espécie de drone de patrulha) e de uns soldados amarelos básicos que morriam com um mínimo de esforço da nossa parte, tínhamos alguns sacaninhas bastante mais resistentes, alguns deles invisíveis ou camuflados. Existia uma variedade de invasor que era invísivel, precisamente. Não, não tínhamos de disparar às cegas, mas tínhamos de usar visão de infravermelhos (outra novidade) para os encontrar, e esta consumia energia que era preciso racionar. Igualmente, havia ETs metamorfos - disfarçavam-se de mobília para nos atacarem à traição. Estes elementos, inovadores na altura, ajudavam a aumentar a tensão do jogo, a par de corredores muito escuros (em que nos valíamos do 3º modo de visão - visão nocturna, que gastava as mesmas baterias dos IV), bem como aparições aleatórias de uma caveira gigante (uma espécie de monstro psíquico, aparentemente), que nos pregava uns valentes sustos e nos fazia recorrer ao arsenal de palavrões, bem como o das armas.



Carne para canhão. Obrigatória neste tipo de jogos.


Relativamente ao padrão do Wolf3D, semprei achei que os gráficos eram um pouco toscos, bem como os sons (não que os do Wolf fossem particularmente elaborados), mas serviam bem o seu propósito; o arsenal era decente e a variedade de inimigos, de que falei atrás, era agradável.
Na versão de CD ainda tínhamos direito a umas sequências animadas tipo 3D Studio na introdução e no fim, nada que se comparasse ao CGI fotorrealista dos tempos correntes, mas davam para o gasto.

Resumindo, era um jogo que tentava criar um ambiente Doom-like com as possibilidades de um Wolfenstein. Um jogo competente e que ainda dava para passar umas tardes ou uns serões engraçados, mas não bom que chegasse para gerar tanta descendência como outros títulos mais famosos (aliás, não gerou descendência nenhuma, com a falência da casa que o lançou, a Capstone, e com muita pena minha...).

Aquele vaso ao fundo será mesmo um vaso ou um ET disfarçado?
Corridor 7 tinha os seus truques engraçados para a época...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

364 Days of Tedium

Se o Pai Natal tem como trabalho distribuir presentes no dia 24 de Dezembro, o que faz o resto do ano? Neste álbum, 364 Days of Tedium - or What Santa Gets Up To On His Days Off, descobrimos tudo. Inclusivamente coisas que éramos mais felizes quando as desconhecíamos.

O "jolly fat man" passa um ano a fazer das suas - desde ter demasiada intimidade com a rena Vixen na festa da passagem de ano, o que leva ao desaparecimento da rena - segundo um chantagista que persegue o Pai Natal (ou Nick, neste livro), ao assassinato da mesma - até ao despedimento em massa dos elfos.

É um álbum que nos revela o lado alternativo do "velho das barbas" - neste caso, um lado bastante escatológico.
Aqui, Dave Cornmell não o poupa - o Pai Natal é preguiçoso, vingativo, dado a bebedeiras e a flatulência e tem um sentido de humor duvidoso. Para além de que não sabe falar língua de rena, um handicap importante que deixa as suas montadas desesperadas. Ah, sim, e pondera sobre o limite entre "being jolly" e "being morbidly obese".
Os elfos não são melhores, quando se inicia o novo ciclo de produção de brinquedos e o chefe do grupo diz "Quem não estiver à altura, é melhor desistir agora", fica com uma sala vazia... Quando são despedidos, rapidamente os elfos montam linhas de crédito para prostituir as elfas. E tal como o (ex)patrão, não têm pejo em afundar-se na bebida.
Já para não falar das renas. Rudolfo diverte-se a fazer sinais tipo ponteiro laser com o nariz, e o candidato ao lugar de Vixen - Terry a rena de 3 pernas - é eternamente amesquinhado pelos outros bicharocos. Até os matar nas provas para ver quem fica com o lugar.
E ainda temos Ducky e Mr. Whale, os desafortunados bonecos de banho do Pai Natal, que vêm horrores traumatizantes na banheira...

Tem, apesar do seu humor um bocado grosseiro, alguns momentos brilhantes. Como quando um dos elfos se põe a magicar como é possível conter todos os brinquedos num saco tão pequeno, os princípios quânticos complexos envolvidos levam a que a sua cabeça expluda. "Eu disse-te para não pensares nisso", reclama o colega, tarde demais...

Este livro não poupa golpes ao mito do Pai Natal. Como disse, tem um humor politicamente incorrecto, sem travões. O que o torna uma leitura de Natal muito atípica. Óptimo para quem quer algo de bastante diferente. Mas não digam que não foram avisados.


A capa já devia servir de aviso aos incautos...


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dracula 3000 - A capa do DVD

Adoro filmes maus. É verdade, deliciei-me com o Plan 9 From Outer Space, vi a maioria dos filmes do Uwe Boll com um sorriso na face, ri-me como um tolo a ver o Troll 2.

Nesse espírito, quando li críticas a devastar o "Dracula 3000", achei que me ia divertir igualmente.

Grande erro.

Os outros filmes que mencionei são tão maus que chegam a ser brilhantes (pelo menos são divertidos); este limita-se a ser mau. Tão mau que, quando o terminei (mais do que muita gente conseguiu, pelo que leio), não conseguia, na minha mente, pensar nele como "aquele filme" mas apenas "aquela m€rd@".

Temos uma longa metragem sem pés nem cabeça sobre uma nave no ano 3000 que recupera uns caixões numa nave perdida vinda do planeta (ou sistema solar, ou galáxia, algo assim) "Carpathian", e num deles vem um vampiro vestido de fraque à moda do século XIX chamado...

Disseram "Drácula"?

Errado. Chama-se Orlock, provavelmente numa tentativa de se armarem em cultos ao fazer uma alusão ao "Nosferatu", a primeira versão cinematográfica do romance de Bram Stoker. De resto, atiram para o meio umas alusões soltas ao livro e acham que fica o assunto resolvido.

Pelo meio, temos Casper van Dien em modo canastrão e uma Erika Eleniak a passar do prazo de validade.

Se o filme é tão mau, porque falo dele?

Em primeiro lugar, serve de aviso a quem ler isto. Vi uma crítica no IMDB que dizia que o filme era mau que chegue para forçar a Helen Keller a sair da sala e acho que têm razão (eu vi até ao fim, mas como me gosto de armar em forte...).

Segundo, porque houve uma coisa de que gostei. Vá lá. Qual é o título deste post?
Exacto!

O DVD (que eu saquei dum bargain bin, graças a Deus que só fiquei 2 euros mais pobre por causa disto) tem uma capa porreira.
Não é nenhuma obra de arte transcendente, note-se. Mas é gira. Faz lembrar uma figura do H.R. Giger, ou a capa de um dos livros da série Necroscope. E tem um subtítulo reminiscente do do filme Alien, o 8º Passageiro ("No Espaço Ninguém Te Pode Ouvir Gritar").
Olhando para ela, parece que houve algum cuidado na produção do filme. Ok, isso torna-a uma capa mentirosa. E um caso clássico de não julgar, neste caso, o filme pela capa.

Quem fez a capa colocou algum cuidado na sua produção. Como tal, merece os parabéns. O restante pessoal que produziu o filme merece umas palmadas e um olhar reprovador de "Que vergonha!".

Aqui está. A única qualidade redentora do filme.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

The Shining

Revi recentemente o filme The Shining, realizado por Stanley Kubrick e baseado no livro homónimo de Stephen King.

Sendo um filme de 1980, tem alguns aspectos um bocado datados, mas continua a ser um bom filme para se passar um serão. Isto, claro, para quem gosta de filmes de terror.


"Heeeeeree's Johnny!"



O filme conta-nos a história de Jack Torrance e família (a mulher Wendy e o filho Danny), que ficam encarregados de fazer a manutenção do Hotel Overlook, nas montanhas do Colorado, durante um Inverno, enquando o mesmo está encerrado e, excepto pela família, deserto.
Até aí, tudo aparentemente OK, não fosse haver algo de muito errado com o hotel...

Danny tem um dom raro - uma forma de percepção extra-sensorial a que na história chamam "the shining" (na minha versão em DVD, o "resplandecer") que lhe permite comunicar mentalmente com outras pessoas que têm o mesmo dom (tal como Dick Halloran, o cozinheiro do hotel, que é quem lhe diagnostica o dom e lhe ensina algumas coisas sobre ele) e ver coisas que não deviam ser vistas - os fantasmas do hotel, e outros "vestígios".
O miúdo ainda prevê o futuro - e recebe avisos sobre o mesmo através de Tony ("o rapaz que vive na minha boca"), que fala com ele quando não está ninguém por perto.

Antes de começarem a sua estadia, Jack é avisado que um antigo zelador, 10 anos antes, a sofrer de "cabin fever", matou a mulher e as filhas quando estavam a tomar conta do Hotel, o que não demove Jack de aceitar o trabalho.


As irmãs Grady


Assim, no início, tudo corre bem. Jack e a família ficam confortavelmente instalados num hotel clássico (um bocado moderno para um hotel de 1909, mas atribuo isso a eventuais remodelações), Wendy ajuda o marido na manutenção, alternando com algum tempo de diversão com o filho a explorar o labirinto de sebes que é uma das atracções locais e Jack aproveita para tentar escrever.

E aí as coisas começam a correr mal. Danny começa a ver frequentemente os fantasmas do hotel, e chega a ser atacado por um. Jack, por outro lado, começa a deteriorar-se e a beber, tendo acessos de violência, e também a interagir com os fantasmas - mais concretamente, a ser influenciado por eles. Wendy, por outro lado, quer ir embora e levar o filho. Danny consegue chamar, usando o "shining", Halloran, que se encontrava na Florida a passar férias, para que os vá socorrer.

Com isto, começa a sequência final. O fantasma de Grady (o antigo zelador que matou a família) explica a Jack que o seu filho é "muito talentoso" mas que está a tentar trazer elementos de fora (Halloran) para interferirem, e que Jack devia pôr a mulher e o filho na ordem. Jack começa a perseguir a família e a tentar matá-los, entretando Halloran chega - apenas para ser morto quase imediatamente com uma machadada no peito, mas providenciando um novo veículo de neve que vai permitir a fuga de Wendy e Dan (Jack destruíra previamente o veículo do hotel). Jack ataca Wendy, mas esta consegue repeli-lo, e vira-se para Danny, que foge para o labirinto de sebes, coberto de neve, acabando por despistar o pai, que acaba por morrer gelado no labirinto.

Numa cena final ambígua, vemos uma fotografia do baile do 4 de Julho de 1921, onde Jack está presente, não sendo claro se o mesmo se tornou um fantasma do hotel (com efeitos retroactivos) ou se, de alguma forma, era a reencarnação de alguém que já lá pertencera...

O filme tem, como referi, alguns pontos fracos. O alcoolismo e a carreira de escritor falhado de Jack não são abordados (pelo menos, explicitamente), o que ajudaria a compreender a facilidade com que se o personagem se afundou. O fenómeno de shining e os fantasmas do hotel são abordados muito superficialmente (tendo um peso maior no livro), e toda uma série de incidentes periféricos são ignorados (aí percebe-se, dados os limites da transição para filme, mas acho uma pena de qualquer modo); o final é alterado radicalmente (no livro nem havia labirinto) e parece um bocado apressado em contraste com o resto da história (por vezes um pouco ténue).
Tal não tira os méritos ao filme, em todo o caso. Apesar de termos pouco tempo de antena para Shelley Duvall (Wendy), em que maioritariamente actua pouco expressiva, redime-se na parte final, quando luta para se tentar salvar e ao filho. Aí, o facto de não ser uma actriz nada bonita (na minha opinião, claro), até ajuda.
Danny Lloyd (Danny) também faz o seu papel bastante bem; sendo possível considerá-lo o ponto central da história, é um personagem que não me diz muito (sou parcial por Jack), mas pelo menos, as cenas em que viaja de triciclo pelo hotel são das melhores do filme, e contribuem imenso para criar a atmosfera de isolamento num local enorme e progressivamente mais ameaçador.


Danny depara-se com as irmãs durante as suas explorações.


Mas a estrela do filme é, sem dúvida, Jack Nicholson no papel de Jack Torrance. Com um desempenho que parece um pouco forçado ou artificial no início (talvez de propósito, para transmitir a ideia de um Jack falsamente equilibrado, ou talvez não), rapidamente descarrila para uma espiral instável de loucura e violência, de uma forma perfeita - uma das cenas em que está sozinho no salão a fitar o vazio é, para mim, tão perturbadora como as cenas em parte para a agressão com um machado, quase dá para sentir "os fusíveis a queimar". Os diálogos com os fantasmas do hotel também estão impecáveis, ainda que um pouco "over the top".
Finalmente, nos seus momentos finais, Jack reverte para um estado animalesco, perfeitamente bem conseguido. Fora do labirinto, só se ouvem uivo e urros inarticulados.

Mesmo com os problemas que acima menciono na adaptação do livro original (o próprio Stephen King não ficou satisfeito com a adpatação ao cinema, tendo mais tarde desenvolvido uma mini-série de TV, mais fiel ao livro) o filme não deixa de ser uma história de horror bem conseguida, e um dos meus favoritos dentro do género. Um filme que gosto de revisitar ocasionalmente.


O fim de Jack.